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Ontem, dia 06 de dezembro, teve fim mais uma edição da Comic Con Experience 2015, o maior evento de cultura pop da América Latina. Tudo correu bem durante o evento, não houve confusões nem transtornos, mas um acontecimento em particular acabou deixando uma mácula no histórico impecável dessa edição.

O programa Pânico na Band, que ano passado havia feito uma cobertura bem legal do evento, esse ano fez totalmente o oposto. Os “repórteres” Lucas Maciel, o Selfie Boy, e Aline Mineiro, foram acusados de terem sido extremamente desrespeitosos com os visitantes da feira tendo, inclusive, LAMBIDO uma cosplayer.

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Myo Tsubasa, cosplayer. Estava caracterizada como StarFire de “Os Jovens Titãs”, e foi lambida por Lucas Maciel.

Myo Tsubasa, a cosplayer em questão, estava caracterizada com StarFire, personagem de Os Jovens Titãs da DC Comics, e contou que a dupla a puxou para ser entrevistada sem nenhum aviso, passaram o dedo em sua pele na intenção de tirar sua pintura corporal e em seguida, Lucas Maciel a lambeu.

Em seu perfil no Facebook, Myo escreveu um desabafo:

Venho aqui depois de um dia ultra cansativo na CCXP, INFELIZMENTE fazendo uma postagem de extremo desgosto. Mas não é com o evento! Meu desgosto é com a equipe da band que fazia a cobertura do evento filmando, sei lá eu se era ao vivo ou não.
Estava andando com um amigo que encontrei de Robin, e estávamos próximos à entrada do evento. Gente, hoje é sábado, quem foi sabe que tava empacotado de lotado, e quem não foi deve imaginar. Eu já estava passando mal mesmo de calor (motivo pelo qual tirei o cosplay super cedo, mas vou usá-lo amanhã de novo). Beleza.
Me aparece um homem e uma menina, caracterizados já de uma forma ridícula, e nos PUXAM com a maior grosseria do mundo, sem nos perguntar se queríamos dar alguma entrevista ou fazer aparição, simplesmente nos agarraram grosseiramente pra frente de uma câmera com uma luz absurda de intensa já na nossa cara.
Lembrando que: eu passei 3 horas me vestindo nesse cosplay, eu estava INTEIRAMENTE pintada de laranja, com a SCLERA que já doia o olho etc. todos que tiraram fotos comigo, e foi gente PRA CACETE, eu só pedia para não encostar na minha pele por conta da tinta. Simples: não queria suja-los, e nem que minha tinta saísse.
Acontece que meu amigo já demonstrava sinais de desconforto com isso, e ele não conseguia se largar do sujeito nojento enquanto a menina me agarrava. Falaram besteiras para ele das quais não me lembro direito, mas aí quando aí a menina começou a perguntar sobre meu cosplay, já num tom de deboche. Perguntou quem era, e eu respondi: Estelar, dos Jovens Titãs, na maior boa possível, sorrindo pra câmera.
Então eles me pedem para ir um pouco à frente e dar uma “giradinha” pra câmera, o que eu fiz sem cerimônia. E aí recebi o seguinte comentário do SUÍNO que estava agarrando meu amigo:
“Parece aqueles bronzeados artificiais de panycat quando dá errado” Aí minha paciência já estava quase no zero, se já não estava.
Tentei relevar, até que NOVAMENTE, A CRIATURA IGNÓBIL ME DÁ UMA DEDADA NA MINHA PELE PRA TIRAR MINHA TINTA, E LOGO EM SEGUIDA METE A LÍNGUA NOJENTA EM MIM. ME LAMBEU.
Não tem palavras que descrevam o ódio e o nojo que me bateram na hora. Que coisa escrota, repugnante. Invasão de privacidade, falta de respeito. NOJO.
Só digo uma coisa: depois dessa e da UOL, Já tá na cara que devemos EXCLUIR esse tipo de mídia de eventos e afins. Não damos duro e nos dedicamos pra quando queremos nos divertir, recebermos esse tipo de gente no espaço que foi feito para nós.
Amanhã estarei lá novamente de Estelar, e se eu ver nem que se for a sombra desses sujeitos, desço o caralho em ambos.
Fica minha indignação“.

Abaixo, o vídeo do momento em questão:

E sobrou até pro Frank Miller!

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Por conta de postura tão inadequada, o programa Pânico foi BANIDO das próximas edições da Comic Con Experience. Foi emitida na página da CCXP e do Omelete, a seguinte nota de repúdio:

CCXP 2015 | Nota de repúdio ao programa Pânico na Band

Na CCXP – Comic Con Experience, todas as pessoas são bem-vindas e incentivadas, sem preconceitos, a ser quem são – ou quem desejam ser. É um ambiente harmonioso que defendemos, um lugar onde cosplayers, nerds, gamers, cinéfilos, leitores de quadrinhos e simples curiosos convivem com respeito. Numa convenção de cultura pop, o contrato social que sonhamos para nós – em que toda diferença é aceita e celebrada – torna-se realidade.

É com tristeza e um sentimento de desgosto, então, que assistimos à maneira como o programa Pânico na Band, incapaz de lidar com o diferente, traz para dentro da CCXP seus preconceitos de gênero e seu franco desrespeito, entrevistando cosplayers com grosseria – chegando a lamber uma visitante. Depois desse incidente lamentável o Pânico na Band foi banido da CCXP 2015 e de todas as atividades organizadas a partir de hoje.

Não se trata aqui de discutir limites de humor. A cobertura do Pânico na Band da CCXP 2014, inclusive, foi muito bem-humorada e eles foram credenciados para a nova edição dentro desse espírito. No entanto, assédios moral e sexual são temas seriíssimos e preocupações constantes em convenções de cultura pop no mundo inteiro – assim como fora delas. As atitudes do Pânico na Band dentro da CCXP representam um retrocesso que não podemos aceitar. Ninguém pode, não mais.

O senso de humor é um componente fundamental do cosplay. Nesta segunda-feira a web ainda se diverte com as imagens dos trajes mais inventivos que passaram pelos quatro dias da convenção, do meme de Pulp Fiction às crianças vestidas de Coringa. Mas o cosplay também é uma forma de expressão que ajuda muita gente a fantasiar, com segurança, com aquilo que deseja para si. Pessoas aderem ao cosplay para se tornarem mais fortes, usando a interpretação e a confecção de seus trajes para lutar contra quadros de depressão, para manifestar sua sexualidade, para trabalhar sua auto-estima, como um super-herói.

A organização da CCXP repudia com indignação a postura inaceitável do Pânico na Band porque ela desmancha esse encanto do qual depende qualquer convenção de cultura pop. Mas os cosplayers, os nerds, os gamers, os cinéfilos e os leitores de quadrinhos são maiores, mais unidos e mais fortes. E um dia o contrato social de tolerância que estabelecemos dentro dessas convenções vai se espalhar porta afora, como um coro.

The Fellowship of the Comic Con Experience, 7 de dezembro de 2015.”

Até o momento, nenhum integrante ou representante do programa ou da emissora Band se manifestou sobre o caso.