Crítica do Filme 47 Metros Abaixo

Depois que Steven Spielberg deu novos ares para os filmes de terror com monstros em seu icônico Tubarão (Jaws – 1975), frequentemente tentam tirar dessa espécie de temática sua parcela.Todo ano aparecem novas empreitadas com tubarões, que variam desde uma comédia, como é o caso da franquia (isso mesmo, virou franquia!) Sharknado, até filmes mais sérios e com temas mais elaborados como Águas Rasas.

E seguindo essa linha de pensamento, em 2017, temos mais um desses filmes quem envolvem o vilão submarino mais famoso do cinema, assim, 47 Metros Abaixo (47 Meters Down) é uma tentativa de fazer um suspense claustrofóbico embaixo d’água, mas só tentativa mesmo.

A premissa inicial por si só, já é um dos maiores clichês desse tipo de filme. O problema não é o clichê, quando esse é bem utilizado a narrativa convence e o roteiro funciona, o problema é quando o clichê é só uma desculpa para colocar os personagens na situação que o diretor quer, para que apareça logo o que todo mundo espera. É tudo bem básico, as duas protagonistas estão em férias num paraíso tropical e aceitam o convite de dois desconhecidos para ir a um mergulho que logicamente iria dar errado.

Aliado a isso, a motivação das duas protagonistas muda de acordo com a maré que bate no barco, a cada segundo elas querem uma coisa diferente sem motivo e significado narrativo, e isso unicamente para que? Para chegar logo na cena onde vai acontecer tudo: aparecer tubarões, morrer personagens e sujar a água de sangue.

O diretor Johannes Roberts (que não tem tantos trabalhos assim) faz de tudo para dar credibilidade para as cenas, mas isso fica difícil quando o roteiro não ajuda (e foi ele quem escreveu!), as cenas são totalmente desconexas, primeiro a jaula onde elas estão simplesmente arranca o pórtico de sustentação como se fosse madeira podre, e ela não pesa sequer 500 Kg, e logo depois a mesma jaula estoura um cabo de aço de mais de uma polegada como se fosse barbante. Oras, porque então o cabo não estourou primeiro na cena anterior? Não há suspensão de descrença que sustente esse tipo de coisa.

Outra incoerência da direção de Roberts reside na utilização da figura do tubarão como motor para o andamento do roteiro. Voltando no exemplo de Tubarão, em várias cenas Spielberg não entrega logo de cara o que está atacando as pessoas no mar, aliado à trilha sonora o clima construído se transforma em um terror psicológico intenso, principalmente pelo medo do desconhecido, mas em 47 Metros Abaixo é tudo ao contrário, a primeira coisa que o diretor mostra é o tubarão, quebrando qualquer clima de tensão e suspense, de cara já se sabe que o que vai atacar as pessoas ali é um tubarão.

Repleto de cenas desconexas e incoerentes o produto final da produção fica comprometido, não se sabe o objetivo do filme, se é entreter, se é assustar, se é trabalhar algum tema. Em Águas Rasas, por exemplo, o diretor Jaume Collet-Serra utiliza a situação inusitada da personagem para abordar o tema de auto reflexão e engrandecimento pessoal. Já em 47 Metros Abaixo não aborda absolutamente nada, parece mais um mosaico abstrato sem sentido e sem tempero.

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Formado em Ciências Contábeis, mas atuando na área financeira, atualmente estuda Direito, viciado em comprar livros (mesmo sabendo que talvez não vá ler rs), cinéfilo, gamer, aspirante a crítico de cinema, apreciador de séries e desenhos, pode ser encontrado facilmente pelos melhores bares da cidade.

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