Crítica Cold Skin

“Aquele que luta contra Monstros deve acautelar-se para não se tornar também um monstro, quando se olha muito tempo para um abismo o abismo olha de volta para você”.

capa do filme Cold SKin

Propositalmente o cineasta Xavier Gens inicia já nos primeiros minutos de filme com uma tomada com a célebre frase do filósofo alemão Nietzsche, afinal de contas vai ser em torno disso que vai permear toda sua narrativa. Através da desconstrução do ser e como muitas vezes nos tornamos aquilo que mais odiamos.

Muitas semelhanças se farão presentes com seu contemporâneo “A Forma da Água”, mas ao contrário do filme de Guillermo del Toro que busca, principalmente, trabalhar a dicotomia entre quem na verdade é o monstro, em Cold Skin o diretor quer abordar o processo inverso; como seu personagem principal vai descer a escada do abismo de Nietzsche. E para chegar na reflexão pretendida, Gens utiliza uma espécie de triângulo amoroso onde gradualmente cada personagem absorve os maiores defeitos uns dos outros. Erroneamente o filme é vendido como sendo um terror, onde na verdade é mais um drama ou no máximo um suspense psicológico.

Interessante notar que a construção da narrativa pelo diretor se fundamenta no fato dos personagens multifacetados. Nenhum deles se monstra unidimensional, o que torna ainda mais trágico suas trajetórias. Aliado a isso existe uma boa dose de tensão nos momentos de ação, o senso de urgência e sobrevivência é muito bem empregado pelo diretor tornando crível toda aquela situação inusitada.

O desfecho é ainda mais intrigante, deixando também outro pensamento de Nietzsche a mostra, o eterno retorno, onde tudo na vida é um ciclo e em algum momento da existência dos seres algumas coisas sempre se repetem.