Crítica do Filme Death Note

Finalmente parece que a indústria norte americana “descobriu” que as animações japonesas podem render frutos (dinheiro) em território ocidental, o que invariavelmente iria ocorrer assim como foi com as adaptações de quadrinhos e livros de literatura adolescente. O sucesso dos assim chamados “animes” em todo o planeta chamou atenção e agora ficará cada vez mais frequente as chamadas adaptações reais ou “live action”.

Ainda em 2017 a primeira empreitada ficou por conta de A Vigilante do Amanhã (Ghost in The Shell no original) que apesar de ignorar os principais temas da obra original, entregou um trabalho esteticamente bem elaborado e dirigido, servindo como entretenimento sem compromisso. E a continuação das tentativas agora ficou com a Netflix, que investiu em ousadia e pretensão para trazer Death Note para as telas com personagens reais.

Já começa errado aí, excesso de pretensão para uma vertente que está engatinhando aumenta muito as chances de falha da obra, para um subgênero com base instalada forte (como é o caso dos filmes de super heróis) é aceitável, o que não é o caso aqui.

O encargo ficou por conta do novel diretor Adam Wingard, que apesar de um início de carreira interessante nos filmes independentes de terror, já tinha assimilado alguns fracassos (Bruxa de Blair) e assim está inscrito a fórmula que iria direcionar a produção.

Um ponto importante a destacar é que esse tipo de proposta já começa perdendo, uma ideia que já foi abordada nos mangás, depois vira animação, depois vira live action lá no Japão, para só após toda essa correria é que vai se transformar em um filme norte americano, não resta muito que trabalhar nos temas que surgiram dali, nem todo diretor é um Sergio Leone que transforma uma obra japonesa em outro patamar de influência.

Curiosamente Death Note parece não estar se importando nem um pouco com a construção dos personagens (que é uma marca forte de animes) e está mais preocupado em coreografar cenas com atuações deprimentes com músicas que tentam ser impactantes, e, diga-se de passagem, que essa mania dos filmes recentes de querer ganhar o público na base da porrada usando música famosa já está exaurindo a paciência.

O roteiro é conduzido às pressas e isso impacta diretamente nas motivações dos personagens, que mudam de uma hora para a outra sem fundamento narrativo algum, as atitudes feitas em um minuto são descartadas no minuto seguinte sem qualquer lógica, e não quer dizer explicação, até porque o filme tem o que há de mais didático em direção e roteiro, é se tratando de ser condizente com as atitudes.

Os diálogos que fluem entre os personagens Light e seu demônio de estimação não fazem diferença alguma para a história, isso no anime movia toda a estrutura de cada episódio, aqui não, é literalmente descartável, o que parece irônico, já que assim uma pessoa pode assistir apenas a trechos do filme que não faz diferença (aparentando ser um filme/série?).

Visivelmente a ousadia da Netflix custou um pouco caro para o resultado final da obra, que não se presta ao entretenimento nem como complemento para os que já consumiram os produtos anteriores, já que não tem conteúdo adicional algum e mais parece recortes sem sentido das páginas dos mangás