Crítica do Filme Dupla Explosiva

Visivelmente o mercado da nostalgia está a cada dia mais forte e rentável, é fácil perceber as várias produções que visam esse mercado que tem muito apelo sentimental não só no cinema como em várias mídias da cultura pop, nos games, livros, quadrinhos esse tipo de produção é muito visado e procurado.

Assim como tantos outros cineastas, o diretor Patrick Hughes parece ter encontrado seu lugar usufruindo do mercado da nostalgia para fazer seus filmes, apesar de novato na cadeira de diretor, já em seu segundo longa metragem ele trabalhou com várias estrelas dos filmes de ação dos anos 80, quando dirigiu Mercenários 3, o que demonstra sua opção enquanto diretor.

Em Dupla Explosiva (The Hitman’s Bodyguard -2017), Hughes vai manter a mesma pegada nostálgica e entregar um trabalho competente de condução de cenas de ação e construção do carisma dos personagens e para isso ele mescla violência gráfica, comédia e adrenalina.

O filme exala anos 80, desde os nomes dos protagonistas até os diálogos caricatos e exagerados, repletos de frases de efeito. Dá para perceber, sem muito esforço, as diversas referências à Rambo, Máquina Mortífera, Um Tira da Pesada dentre tantos outros. Porém o ponto crucial na condução de Hughes é que ele tem uma marca registrada, ou seja, ele utiliza as referências à sua maneira, isso se percebe pelo ponto narrativo da imprevisão, as cenas mais engraçadas se dão pela reação da surpresa pelo inesperado que ocorre aos personagens.

E é ai que a química dos atores entra em cena, Ryan Reynolds e Samuel L Jackson estão muito a vontade nos papéis, o que transmite uma naturalidade crível, o espectador realmente acredita que aquilo é possível (mesmo com suspensão de descrença) e compra a ideia do filme, o que facilitou muito para o diretor. E Gary Oldman como o vilão fez o que todo vilão de filmes de ação deve fazer, transmitir poder com gritarias e caras e bocas.

A premissa já foi trabalhada várias vezes, dois personagens diferentes entre si, aprendendo a lidar com as diferenças vão se safando das situações e acabam por terminar como os melhores amigos, mesmo sem inovar no fundamento o diretor consegue dar novos ares com cenas de ação muito bem conduzidas, ver o Samuel L Jackson falando “motherfucker” a cada 10 minutos faz qualquer pessoa cair em gargalhadas.