Crítica do filme Projeto Flórida

Projeto Flórida é aquele tipo de filme que se a pessoa que assistir tiver o mínimo de sensibilidade, ao término da experiência fica praticamente impossível não se sentir afetado de alguma maneira, isso porque a construção proposta pelo cineasta Sean Baker aborda uma série de temas que muito provavelmente vai flertar com a vida de muitos.

O mérito maior do diretor foi encontrar o equilíbrio necessário entre a acidez dos temas e a sutileza da narrativa, melhor dizendo, a narrativa é tão educada e a sua condução é tão sutil que o balanceamento foi competente a tal ponto que chega a incomodar (no bom sentido), a inteligência do roteiro é justamente demonstrar para o público como é possível tratar a vida de forma tão poética.

Existe uma música da banda Planet Hemp chamada “Zerovinteum”, onde a letra trata das mazelas da cidade do Rio de Janeiro e uma passagem muito pertinente diz o seguinte: “a Beleza convive lado a lado com um dia-a-dia miserável”, coincidentemente (ou não) Projeto Flórida edifica sua intenção justamente em algo muito semelhante, uma parcela da sociedade que vive na linha limítrofe entre a periferia a beleza de Walt Disney, parece até que ouviram a música para escrever o roteiro.

A intenção do diretor é desconstruir aquela ideia do sonho americano onde a liberdade inclui a chance para o sucesso e prosperidade e o motor utilizado para essa tentativa é a vida de uma jovem mãe e como funcionam seus ideais para a criação de sua filha, inclusive outra máxima que o diretor tenta desmistificar é: realmente as pessoas são produto do meio em que vivem?

Esse emaranhado de ideias e intenções não funcionaria tão bem se os atores não estivessem comprometidos com a proposta e aqui reside a cereja do bolo, Willem Dafoe entrega um trabalho de atuação que dispensa maiores comentários, a novata Bria Vinaite muito bem, mas o destaque é sem sombra de dúvidas a garotinha Brooklynn Prince que arrebata quando está em tela.

Projeto Flórida é sem sombra de dúvidas um dos filmes mais maduros em circuito, tanto pela linguagem utilizada quanto pelos temas sugeridos e discutidos o que acompanha também a evolução de seu idealizador tornando sua apreciação um deleite para aqueles que buscam maiores reflexões nos filmes.