Crítica do filme Tenebre

Dario Argento é considerado um dos mais influentes diretores no cinema de terror italiano, seus filmes influenciaram uma grande geração de cineastas e até os dias de hoje são aclamados pelos apreciadores do gênero cinematográfico. Seu estilo é versátil e trabalha vários temas, como o terror sobrenatural de Suspiria e o thriller O Pássaro das plumas de cristal.

Argento sempre foi um grande apreciador do Giallo, um gênero derivado das revistas pulp italianas que abordam romances policiais e investigativos com altas dosagens de violência e suspense. Ele vai usar essa influência para escrever o roteiro de Tenebre, filme que foi ao ar em 1982 e que vai trazer essa espécie de narrativa para sua obra.

Interessante notar a nítida referência ao cinema de Hitchcock, tanto nos ângulos de câmera quanto na construção do suspense, principalmente em filmes como Psicose e Janela Indiscreta, essas influências ganham contorno próprio de Argento quando ele opta por utilizar, na visão do assassino do enredo, a câmera subjetiva demonstrando os passos em primeira pessoa.

Isso é usado em prol da narrativa, uma vez que o mistério é o maior personagem de sua construção e a opção por esse tipo de técnica transmite muito mais credibilidade que simplesmente mostrar um serial killer mascarado perseguindo suas vítimas, além disso, Argento ganha um tom visceral e a violência gráfica e explícita aponta para sua marca mais forte, o terror.

Em determinando ponto da estória o diretor substitui o assassino pela figura de um cachorro, que persegue uma vítima indefesa, num primeiro momento a cena parece desconexa com a proposta, mas a intenção aqui foi demonstrar a animalidade do ser humano quando está determinado a matar, sua natureza animalesca toma posse de sua psique, e para trabalhar isso Argento fez uso de uma metáfora visual na forma de cachorro.

Quando o assassino em série, protagonista do filme entra em colapso psicológico, o diretor transmuta as cenas normais para um patamar onírico, como se fosse um pesadelo pessoal, o que justifica narrativamente e de forma indireta a sua deficiência mental, não precisando em nenhum momento deixar isso explicado em diálogos lógicos e didáticos.

A influência em Hitchcock fica ainda mais latente no quadrante final de Tenebre, onde ele usa a figura do detetive para substituir o psiquiatra clássico da cena final de Psicose, onde ele explica as motivações de Norman Bates, mas aqui o detetive não dá um ponto final para o filme, mas serve apenas como motor narrativo para uma virada de roteiro onde finalmente Argento mostra ao expectador quem é quem.