Crítica do Filme Terra Selvagem

O roteirista Taylor Sheridan, apesar de novato, já mostra uma crescente positiva em seus projetos. Seus trabalhos em “Sicário: Terra de Ninguém (Sicário – 2015)” e “A Qualquer Custo (Hell or High Water – 2016)”foram muito bem recebidos pela crítica e público e renderam diversas premiações e nomeações ao Oscar.

E para prosseguir em sua competente subida na carreira e agora também sentando na cadeira de diretor, Sheridan apresenta “Terra Selvagem (Wind River – 2017)”que vai reafirmar várias de suas marcas como roteirista e fazer uma introdução do que se pode esperar dele como cineasta, já que, anteriormente, ele apenas escreveu, a direção ficou a cargo de outros.

Como todo artista autoral, Sheridan tem sua marca característica, que já tinha ficado demonstrado nos trabalhos anteriores, ele desenvolve as relações humanas em ambientes extremos e situações extremas. Em “Sicário” o palco era a fronteira dos Estados Unidos com o México, e em “A Qualquer Custo” surgiu o deserto árido do Texas, e dentro desse contexto sua narrativa trabalhava as questões humanas. E não diferentemente, em “Terra Selvagem” ele subverte totalmente sua assinatura anterior e nos leva para os montes congelados.

Não se pode dizer que a trama é novidade, pois se trata de um thriller investigativo, mas Sheridan nunca teve a pretensão de reinventar a roda, ele sempre se propôs a revisitar alguns subgêneros e com isso contar sua história. Mas a diferença dele para tantos outros que se encontram por aí é a discussão por detrás das cenas, e em “Terra Selvagem” ele vai apontar para uma crítica social contra a discriminação e para isso vai levar a narrativa para uma reserva indígena onde um homicídio faz o cabide dessa construção.

Um ponto muito desagradável nas grandes produções atuais é a banalização das cenas de ação, onde em geral elas não servem para quase nada a não ser de gozo visual, tudo é obra do acaso e não conduzem a lugar nenhum. E é justamente o oposto que ocorre.As cenas de maior celeridade são necessariamente consequência dos atos dos personagens e carregam uma crueza visceral sem polimento, lembrando bastante as grandes lutas samurai dos filmes de Akira Kurosawa, onde tudo não dura mais que alguns segundos.

Os dois protagonistas são ideologicamente opostos entre si, mas ao mesmo tempo se completam. Essa união se dá pela situação a que foram expostos, onde colocar as diferenças de lado em prol de um bem comum é o que faz os seres humanos chegarem até aqui, mas, em contrapartida, é justamente a necessidade de violência que nós temos que nos aproximam da barbárie, o que cria dentro da narrativa uma elação contraposta muito bem explorada pelo diretor.

Talvez seja cedo ainda para afirmar que Taylor Sheridan seja um dos grandes nomes do cinema atual, até para evitar cair na síndrome do gênio precoce, mas, visivelmente, seus trabalhos estão demonstrando muita habilidade e conhecimento, o resto só o tempo dirá. O certo é que “Terra Selvagem” chega com forte poder narrativo e construtivo, e aparentemente está passando batido pelo público.