Fala, galera nerd!

Na última quarta-feira, 20/07, foi o Dia do Tatuador e, em comemoração a essa data tão especial, fizemos uma entrevista com um dos nossos amigos e parceiros, o tatuador Ricardo Marinho, que está no mercado de tatuagem a cerca de 7 anos no Rio de Janeiro, no estúdio “Guará Tatuagem, Arte e Café”.

No papo, conversamos sobre o universo das tattoos, o que ele vê da evolução no ramo, a mudança que ele sentiu com a crise econômica que abalou o país recentemente, o amor que tem pelo que faz e o profissionalismo. Confira abaixo a entrevista na íntegra:

Quando você começou a tatuar?

Comecei a tatuar há cerca de 9 ou 10 anos, porém não segui carreira, pois saí do estúdio onde iniciei e fui trabalhar com outras coisas.

Retornei ao mundo da tattoo em 2010, onde cheguei muito cru e fui estudando pra evoluir. Desde então, trabalho religiosamente todos os dias. Então, bem, costumo dizer que tatuo desde esta data, já que foi a partir daí que realmente resolvi ser profissional.

O que é a Guará Tatuagem e de onde surgiu? Quanto tempo está no mercado?

O Guará Tatuagem é um conceito de estúdio, onde prezamos não apenas ter um ambiente de trabalho que o cliente chegue e seja tatuado com técnica e precisão, mas também saia da loja com a certeza de que ‘se pintou’ com artistas que estudaram para fazer o que fazem e não precisam cobrar [preços] absurdos.

Prezamos também sempre aquele atendimento com a educação que recebemos em casa e que deve ser usada pra tudo. É muito importante que o cliente se sinta à vontade na ‘nossa casa’… Temos nossas regras, afinal somos uma família. E, quem vem de fora, é muito bem recebido com um sorriso e um café quentinho, sempre no ponto.

Qual foi sua primeira tatuagem?

Minha primeira tatuagem (feita em alguém) foi um escudo do time carioca Botafogo. E a primeira que tive foi um palhaço enorme na costela, no qual me arrependi, pelo significado que deram nas ruas [assassino de policial].

Cobri meio triste porque nunca pensei que, uma coisa que eu gosto desde criança, fosse um símbolo de uma coisa ruim. Logo, pra evitar problemas… (risos)

Por que começou nessa profissão?

Desde que me entendo por gente, eu era ‘o menino da sala’ que fazia as artes, desde as capas de trabalhos do colégio até vendendo desenhos da pasta que sempre me acompanhava na mochila.

Confesso que eu já disse – antes de começar a tatuar – que nunca faria uma tattoo em alguém, pois tem que ser com muita calma devagar (Eu desenho meio rápido, rabiscando muito até achar a forma). Mas foi só pegar a máquina e não querer mais fazer outra coisa!

Qual foi a tatuagem mais fácil e a que deu mais dificuldade?

Tatuar… Isso nunca é fácil. Posso ter 50 anos de profissão, nunca será fácil fazer um traço reto com uma máquina tremendo na sua mão. Todos os trabalhos, os mais elaborados ou os mais simples, tem o seu valor.

A primeira tatuagem colorida que fiz, essa, sim, foi a mais difícil! Sempre desenhei em preto e branco e não sabia por onde ia esse negócio de cor. Foi meio tenso fazer aquela rosa…

Qual local mais inusitado que você tatuou?

Nunca fiz nada em ‘lugar polêmico’, não… Acho que fiz em seio e virilha, tanto de mulher e homem… Tatuei nádegas também, mas acho partes normais comparadas com o que ouço de experiências dos colegas.

Quais os maiores pedidos dos clientes?

Os clientes me pedem coisas meio direcionadas, normalmente em preto e cinza ou coisas mais nerds. Uhuuu!!!

Você é focado em alguma especialidade? Qual é?

A parte da tatuagem que estudo e me foco mais é a chamada “Black and Grey” [preto e cinza]. Mesmo assim, não fujo do que me pedem; vou apenas até onde minha perna alcança.

Como você gosta de se atualizar?

Tenho uma pequena biblioteca com livros de arte e sempre faço cursos. Bater papo com amigos, ao invés de ficar o dia todo na internet, ajuda muito a trocar experiências.

Com certeza. E onde está localizada o Guará?

O Guará está localizado na Tijuca, no Shopping 45, e na Barra da Tijuca, no Barra Garden.

Quantas tattoos você tem?

Não sou o tatuador que você se depara na loja com 90% do corpo tatuado (risos). Estou no processo para fechar o braço e a perna; essas acabam se tornando uma só. Fora elas, algumas poucas espalhadas. Nada gritante, não.

Para você, um tatuador tem que ter tatuagem?

É importante que o tatuador tenha tatuagem, sim. Para saber o que ele causa em seus clientes, poder indicar ou falar sobre os locais… Não acho que tatuador bom é tatuador que é lotado de tatuagens, mas voto por ter tattoo, sim.

Você acha que o mercado de vocês sofreu com a crise?

Temos visto uma baixa significativa, mas apertando daqui, trabalhando dali, fazendo nossa propaganda certinha, a gente passa por isso.

Qual significado do nome da sua empresa?

Escolhemos o nome Guará por alguns motivos pessoais, de família e pelo comportamento dos lobos dessa espécie. Basicamente também por ser uma espécie de pássaro muito bonito e mostrar patriotismo; por isso, nos chamamos Guará Tatuagem, Arte e Café.

Quais prêmios você já ganhou? Quais campeonatos você já participou? O que acha das convenções de tatuagem?

Nunca participei de nenhuma convenção para competir. Tenho minhas prioridades e não acho que devo me matar por um troféu, como já vi gente fazer. Ao invés disso, faço meu trabalho na convenção ou fico nas relações públicas, fazendo contatos. Acho que convenção é pra a galera se encontrar e se divertir, não pra ficar 35 horas agarrado na pele pra ganhar um objeto.

Quais são suas fontes de inspiração?

Gosto muito de ler, procuro referências em tudo e tudo pra mim vira alguma ideia que pode ser usada no futuro.

Qual dica você dar para quem está querendo fazer a sua primeira tatuagem?

Escolha com sabedoria o que você vai tatuar no seu corpo de primeira. Escolha o profissionalismo e não o menor preço. Não estou aqui pra dizer pra você pagar um absurdo, mas nenhum valor é tão caro quanto a sua decepção em ter uma coisa imperfeita na sua pele, só porquê você resolveu fazer com o “naquele lá é mais barato” e sua tatuagem vai sair cara pra cobrir. Pense: É seu corpo e sua saúde.

Como você se vê daqui a 10 anos?

Me vejo com mais experiência! Pretendo ter na bagagem algumas viagens, tanto a trabalho e intercâmbio quanto a passeio. Talvez abrir mais algumas lojas…

Existe alguma arte que gostaria de tatuar e ainda não fez?

Ah, sempre tem!!! São muitas, muitas mesmo.

Qual foi a tatuagem mais emocionante que já fez?

Tatuei um coração com o nome de um falecido filho, uma coisa muito simples, mas que a mãe chorou e se emocionou muito!!! Foi uma energia triste, mas boa ao mesmo tempo, pois ela disse que chorava de alegria, visto que naquela tatuagem colocou todos os momentos felizes junto com o filho…

Você tem algum tatuador que se inspira? Quais são e por quê?

Me inspiro no meu mestre Mauro Simões. Ele me ensinou o que sei, tanto profissional quanto pessoalmente. Gosto muito de Carlos Torres, Paul Booth e Nick Baxter, entre outros.

Sei que tem tatuadores que não gostam de fazer algum estilo de tatuagem. Você tem algum que não curte fazer ou já negou de fazer?

Não faço trabalhos de fotografia. Acho que ainda não atingi o nível que eu quero para poder oferecer esse serviço. Estou estudando; vamos ver no que dá…

Nesse bate papo com o meu amigo e tatuador Ricardo Marinho, tentei trazer toda sua experiência no mundo de tatuagem e seu grande conhecimento como tatuador.

Comenta ai o que achou da entrevista! Confira alguns trabalhos dele nessa galeria:

Siga o Ricardo Marinho em sua redes sociais e confira mais alguns trabalhos deles:

https://www.instagram.com/ricardomarinho13/

https://www.facebook.com/GuaraTatuagemArteECafe/?fref=ts

 

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