maxresdefault-4

      (imagem de divulgação)

O drama italiano de Giuseppe Tornatore estreou no circuito internacional no final de 2015, e no próximo dia 22 de Setembro estará aqui, nas salas nacionais.
E o enredo, aparentemente batido (você pode se lembrar, por exemplo, de P.S.: Eu Te Amo), garanto: surpreende.
Amy (Olga Kurylenko) é alguém de vida solitária e com um trabalho peculiar: dublê de filmes de ação. Estudante de astrofísica, é na Universidade que conhece Ed (Jeremy Irons), professor e palestrante da mesma área que Amy estuda.
A relação amorosa dos dois, que já tem seis anos, é estável apesar de ser à distância.
O estudo do cosmos – mais especificamente das estrelas -, denominador comum aos dois personagens, entremeia a relação traçando inúmeros paralelos e até pequenas piadas internas, que crescem e se tornam quase que palavras-chave para Amy e Ed.
O ponto de virada se dá quando a relação feliz e estável sofre uma alteração e Amy passa a não receber mais ligações de Ed, ou vê-lo pessoalmente, apesar de ainda receber e-mails e mensagens pelo celular. A partir daí o longa de fato se desenrola e, devo confessar, faço esforço para controlar os dedos para que não passe nenhum spoiler.

Agora vamos aos atributos técnicos.
Há ótimas atuações (o que pode ser considerado tendencioso, já que amamos Jeremy por seu incrível Trem Noturno para Lisboa) e uma trilha sonora minimalista que beira a ser irritante, mas pode-se lidar com isso.
O que não dá pra ignorar pelo brilhantismo e qualidade: fotografia, produção de locação (sério, os cenários são espetaculares, repare na cena da pedra negra) e principalmente iluminação. Algumas cenas externas têm toda característica de luz natural, e as que não são também são incrivelmente bem feitas com a iluminação artificial.
O desfecho é bastante satisfatório, dado o estilo da evolução da narrativa. Aí vem o porém: apesar de coerente, a evolução da narrativa é lenta. E não é lenta porque é intrínseco do caso e precisava se desenrolar devagar; a 1h56min poderia tranquilamente ter cerca de quinze ou vinte minutos menos o que não impede o telespectador de se encantar, e de alguma forma se sentir como Amy, sufocada, durante todo o filme, e permanecer assim algumas horas depois de sair do cinema.

Enquanto o dia 22 não chega pra todo mundo correr e assistir, deixo um quote que representa muito bem a essência do longa italiano:

“Todos nós temos a imortalidade no momento do nascimento. É algo que cometemos durante a existência, algum ato descuidado, que nos torna mortais. A maioria das pessoas nunca vai saber qual foi esse erro que cometeu. Eu sei qual foi o meu.”

Ficha Técnica
Título Original: La Corrispondenza
Classificação: 14
País de origem: Itália
Gênero: Drama, Romance
Duração: 116m
Distribuidora: PlayArte Pictures