O cineasta subestimado!

Olá pessoal! Vou estrear com a minha primeira lista de indicações e nela vamos tratar de Kenneth Branagh, um grande cineasta britânico que é muito subestimado e muitas vezes não recebe do público – e da crítica – a devida atenção aos seus trabalhos, que são respeitados por grande parte dos diretores. Nessa lista vamos focar em sua carreira como cineasta/roteirista, uma vez que ele também é ator. Vale dizer que não é uma lista de preferências e nem um ranking, mas sim, exemplos. Então, pode faltar um ou outro filme, servindo como incentivo para o debate com a galera e como motivação para assistir à filmografia do autor.

Henrique V (Henry V – 1989)

Branagh sempre teve um apreço muito grande por Shakespeare, e sua carreira vai se voltar muito à poesia e filosofia, e seu primeiro trabalho foi justamente se aventurar na adaptação do conto Henrique V, onde ele escreveu, dirigiu e atuou. O filme foi vencedor do Oscar de melhor figurino em 1990.

Frankenstein de Mary Shelley (Mary Shelley’s Frankenstein – 1994)

Como todo diretor autoral, Branagh sempre procurou manter suas assinaturas em seus filmes. Seguindo essa cartilha propôs mais uma das adaptações de contos clássicos da literatura, dessa vez com Frankenstein, onde trabalhou muito bem as questões existencialistas do personagem, característica fundamental que várias outras adaptações do livro deixaram de mostrar.

Sonhos de Uma Noite de Inverno (A Midwinter’s Tale – 1995)

Dessa vez ele não tratou de adaptar um conto/livro para a telona, mas também não deixou de manter essa linha poética em seu trabalho mais individual. Propôs, portanto, uma interessante comédia voltada às questões do teatro e da música.

Hamlet (Hamlet – 1996)

Hamlet talvez seja o filme mais bem sucedido da carreira de Kenneth Branagh, não só por ter sido um dos maiores orçamentos para a carreira dele até então, mas por sua repercussão. Hamlet foi indicado a 4 categorias do Oscar de 1997 e ganhou críticas muito positivas na época. Apesar da narrativa mais clássica, o filme trabalha de forma muito interessante e sutil, os temas da obra principal de Shakespeare.

Operação Sombra – Jack Ryan (Jack Ryan: Shadow Recruit – 2014)

Optei por incluir Operação Sombra nessa lista por dois motivos: o primeiro pelo fato de se tratar de um estilo diferente do diretor, fugindo de poesia e drama para voltar agora a um thriller de espionagem; o outro motivo é derivado do primeiro, por demonstrar a habilidade do cineasta em conseguir tratar de temas tão diferentes de forma tão competente sem perder sua assinatura e profundidade.

Aqui ele trata de um personagem que foi derivado das obras do escritor Tom Clancy, que já teve diversas adaptações para o cinema, porém ele visa dar uma roupagem mais moderna. Alguns podem achar que é meramente mais um filme estilo trilogia Bourne, mas aqui Branagh trabalha temas completamente diferentes.

Kenneth Branagh é um ótimo diretor que fica muitas vezes escondido do público, até pelo fato de atualmente os blockbusters e filmes de super heróis terem uma amplitude muito maior. O que não podemos deixar de observar é que Branagh também trabalhou em Thor (filme de heróis) e trabalhou com Cinderela (filme de estúdio), o que reafirma sua competência, pois mesmo em filmes regrados pelas rédeas do estúdio ele conseguiu trabalhar bem e dar sua visão desses personagens.