O Castelo de Bran é o habitat de um dos maiores predadores da cultura pop: o Conde Drácula!
Castelo de Bran, Transilvânia, Romênia

Quem nunca ficou encantado ou horrorizado com os contos e lendas sobre o Conde Drácula, o pai de todos os vampiros?! Pois bem, a lenda é baseada em alguns fatos, alguns personagens existiram, mas tudo foi um pouco exagerado a partir da maldição. Porém, uma coisa é comum em todos os contos e histórias reais relacionadas à Drácula: o Castelo de Bran, na Transilvânia, Romênia.

O homem que inspirou o mito
Conde Vlad Draculea ou Conde Vlad Tepes, também conhecido como Conde Drácula

Antes de conhecer o lugar, vamos falar um pouco sobre Drácula. Vlad Draculea nasceu em 1431, em Sighişoara, na Transilvânia. Seu nome significa “filho do dragão”, já que seu pai havia se juntado a uma ordem religiosa chamada Ordem do Dragão. Para deixar a coisa ainda mais fofa, “Dracul” significa diabo em romeno, língua oficial da região.

Vlad reinou principalmente entre 1456 e 1462. Foi nessa época que ele ganhou o apelido carinhoso de Vlad Tepes, traduzindo: Vlad, o Empalador. O fato é que ele reinava sob duas regras:

  • Ninguém, além do seu próprio povo, ia dominar sua região;

  • Todo e qualquer crime cometido ali, pequeno ou grande, seria punido com requintes de crueldade (do assassino ao ladrão de galinhas).

Como seu principal passatempo, ele também criou a Floresta dos Empalados, no caminho que levava a seu castelo (que, acreditem, nunca foi o Castelo de Bran. Vlad chegou a habitar esse monumento, mas isso veremos mais pra frente…). Reza a lenda que ele empalou em torno de 100 mil pessoas (credo!).

Floresta dos Empalados – reprodução artística

A fama de Vlad, o Empalador se espalhou e começaram a surgir as lendas: conta-se que o governante costumava se banquetear durante a tortura dos condenados e, na versão estendida da bizarrice, ele bebia o sangue dos prisioneiros. Ele acabou sendo capturado e mantido prisioneiro durante anos, até ser morto em batalha, mas o mito só cresceu e se popularizou através do best-seller do irlandês Bram Stoker: Drácula, de 1897.

O Castelo de Bran
Castelo de Bran, o monumento que serviu de inspiração para Bram Stoker

O Castelo de Bran foi construído no alto de uma colina em 1212, por Cavaleiros Teutônicos. O Rei Húngaro Luis I, em 1377, deu o castelo aos saxões de Brasov. Durante os anos seguintes, ele serviu como um centro comercial, por se situar na fronteira entre a Transilvânia e a Valáquia. Foi atacado diversas vezes, até que começou a perder importância no século 19, pela destruição e pela mudança estratégica das fronteiras romenas.

O castelo é uma edificação medieval de cerca de 60 quartos, conectados por passagens e escadas, algumas delas secretas. Para deleite dos turistas, o Castelo de Bran está coberto de arte, decoração e armas da era medieval e da realeza.

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Os louros por transformar o Castelo de Bran no Castelo de Drácula também são de Bram Stoker: enfim, o cara viu a foto do castelo num livro e pensou “o castelo tava ali, na Transilvânia, onde Vlad nasceu… porque não unir o útil ao agradável?!”

Aí você deve estar pensando “poxa, que legal, o castelo do Drácula não era do Drácula” ¬¬

Para não destruir seus sonhos mais macabros lindos, meu caro leitor, dou minha palavra que é uma visita que você não vai se arrepender de fazer! Apesar de não pertencer originalmente à Vlad Tepes, o Castelo de Bran foi habitado por ele temporariamente, durante um período de conflito com Brasov.

Conheça também as ruínas do Castelo de Poenari, a verdadeira fortaleza do Conde Vlad Draculea, também na Romênia

Nem por isso o castelo deixa de ter seus mistérios, como passagens e túneis secretos, além de ser uma espécie de museu com itens da realeza e, para os mais sádicos, instrumentos de tortura que só o período medieval pode produzir com tamanha maestria. Obviamente, se sua visita for no período do inverno, o clima de neve e neblina fica muito mais favorável ao terror de Stoker!

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De uma maneira maquiavélica (“Os fins justificam os meios”), Vlad também é visto pelos atuais habitantes da região como herói, já que defendeu seu território da invasão otomana. Os romenos afirmam que você deve enxergá-lo como um governante de uma era em que esse tipo de comportamento era não só aceitável, como comum (credo!²).

Espero que tenham gostado da nossa viagem pelo universo de Conde Drácula e a região que inspirou Bram Stoker!

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