Sempre fui fã de quadrinhos! Com 6 anos meu pai já comprava, semanalmente, meu gibi favorito, O Pato Donald. Confesso que até hoje me identifico com seu jeito ranzinza e o pavio curto.

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Quanto tinha dez anos e vários outros títulos de gibis no currículo, acompanhei minha família até uma festa, a princípio não tinha muita expectativa do evento. Afinal quanto seria a motivação de uma criança indo a uma festa de aniversário de uma pessoa de sessenta anos? NENHUMA!

Na festa sexagenária haviam algumas crianças, mas não dei muita importância. Nenhuma delas havia sequer ouvido falar de nomes como Fantasma, Mandrake ou Jonah Hex.  Foi ai que decidi explorar a casa, fingindo ser  Sherlock Holmes, entrando em quartos escuros, banheiros úmidos, sempre me esquivando dos andarilhos que circulavam pelos corredores, animados pela bebida, deixando minha tarefa mais emocionante.

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Afinal, àquela altura eu imagina que meu arqui inimigo, Professor Moriarty, estava disfarçado entre os convidados, sorrateiramente, esperando um descuido de minha parte.

Ao virar-me para o corredor central, me deparei com um homem alto, magro. Ele tinha uma barba vitoriana, e fumava um cachimbo que inalava encrenca. Com todas as minhas convicções e experiência de uma década de vida, tive certeza que Moriarty estava em minha frente, que como eu, também  era dotado de extraordinárias faculdades intelectuais, e mestre em disfarces. Assim tive certeza que era meu dever proteger minha família, até então meu único ponto fraco. Se algo acontecesse com minha mãe?

Quem me levaria leite na cama? E meu pai? Quem me companheira as seções de cinema e leria as legendas dos filmes?  SERIA O FIM DO MEU MUNDO PERFEITO!!!

Assustado e tão rápido como o Flash, achei uma porta entre aberta, e, com três passos largos, saltei para dentro do aposento antes que ele pudesse perceber minha presença.

Precisei de um certo tempo para que meus olhos acostumassem com a escuridão. Tateei a parede até achar o interruptor, assim precisei de mais um minuto para que meus globos oculares sentissem a claridade e minha visão pudesse contemplar o lugar.

Foi então que o vi pela primeira vez! Seus olhos fixados em mim, me chamando ao seu encontro. Tinha algo nele, algo que nunca tinha visto. Fui me aproximando, sua figura tomando contornos de um animal feroz. Segurei a encadernação, e contemplei seu nome. BATMAN.

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Mais precisamente UM CONTO DE BATMAN, 1 de 3 partes. Aquela noite eu fiquei umas duas horas lendo e relendo aquele gibi que não tinha fim, mas que me impressionava. Como um homem comum pode ser um super herói? Como ele consegue fazer tudo isso?

Depois de completar minha vigésima leitura, fechei a graphic novel e voltei a realidade, mas minha devoção ao personagem já estava completa. Semanas depois estreou nos cinemas a adaptação de Tim Burton, com Michael Keaton no papel título e pude deslumbrar tudo  que tinha lido.

Desse dia em diante me tornei batmaniaco e um nerd convicto, e a partir de agora usarei esse espaço para tratar de um assunto muito importante, NERDICES!