O mundo macabro dentro da mente perturbada de Alice certamente não era o que Lewis Carrol pensou ao publicar os livros sobre o “País das Maravilhas”. Mas é assim que o produtor American MacGee, do game “Alice: Madness Returns” imagina o lugar onde a personagem viaja para enfrentar os maiores perigos de sua vida.

O game, que será lançado nos Estados Unidos no dia 14 de junho para Xbox 360, PlayStation 3, PC e Mac, conta a história de Alice 11 anos após o primeiro game, “American McGee’s Alice”, lançado em 2000. O G1 jogou o primeiro capítulo do jogo da Electronic Arts que consegue trazer uma visão mais adulta do mundo dos livros.

Após sobreviver aos eventos do primeiro título, a jovem é uma órfã perturbada que faz terapia para entender suas visões e seus medos. Aos poucos, ela começa a ter alucinações e acaba retornando ao País das Maravilhas, um local de conforto, ao seguir um gato branco pelas ruas da cidade. A calmaria dura pouco até que o Gato de Cheshire aparece para a jovem, explicando que as regras daquele mundo mudaram.

A partir desse ponto, Alice começa a desvendar o País das Maravilhas que em nada lembra os mundos criados pela Disney ou pelo filme do diretor Tim Burton. American McGee usa os problemas psicológicos da jovem para mostrar árvores retorcidas, cogumelos gigantes que servem para saltar mais alto, peças de dominó como plataformas e becos amedrontadores para criar um universo voltado para jogadores adultos. O nível visual é competente, com cenários utilizando cores fortes e com Alice muito bem construída, com destaque para o efeito esvoaçante de seus cabelos.

Os inimigos seguem o mesmo estilo do universo deste País das Maravilhas, apresentando um visual bizzarro, como se tivessem saído de um pesadelo. Eles podem ser feitos de óleo, de cartas de baralho velhas e até de xícaras e talheres. Para enfrentá-los, Alice, que usa um vestido delicado, deve pegar uma faca e outras armas, como um moedor gigante.

Inicialmente, a jovem não possui defesa, mas consegue se esquivar rapidamente das investidas dos inimigos ao se transformar em pequenas borboletas. Um comando rápido coloca Alice atrás do adversário, permitindo um contra-ataque rápido. Mais para frente no primeiro capítulo, ela adquire um guarda-chuva, que serve como elemento de defesa. Ao abri-lo no momento certo, ela consegue ainda devolver o projétil contra o inimigo.



Durante o game de ação em terceira pessoa, o jogador deve conduzir Alice por meio do mundo macabro enfrentando os inimigos e recuperando pedaços de sua memória espalhados pelos cenários. Além de contar mais sobre a história, as memórias conseguem dar dicas com o que deve ser feito para prosseguir pelo game. Alguns destes itens estão em locais de difícil acesso e o jogador deve usar algumas habilidades da personagem para conseguir se deslocar até lá, como os pulos múltiplos no ar, por exemplo. Ela ainda pode diminuir de tamanho, o que serve para mostrar caminhos escondidos e passar por locais bem pequenos.

Como em outros games de ação, é possível aplicar melhorias nas armas. Ao eliminar inimigos ou quebrar conchas, por exemplo, Alice coleta dentes, o valor monetário do jogo. Com eles, é possível deixar a faca mais forte e, assim enfrentar inimigos mais poderosos, e aumentar os poderes dos tiros do saleiro.

Adiante no game, Alice adquire chapéus que fazem o papel de bombas. Ao arremessá-los, saem coelhos mecânicos que podem ser detonados quando o jogador quiser. Além de eliminar adversários, ele pode abrir passagens e resolver alguns quebra-cabeças.

Ainda há o modo Hysteria, que pode ser ativado pouco antes de Alice morrer. Por alguns instantes, a personagem muda de forma, fica assustadora e imortal, atacando com golpes mais fortes. O visual do game fica em um preto-e-branco macabro, mostrando que American McGee quis fazer um jogo de Alice para adultos.