O Nerd Medroso? Não!!!

Com 10 anos eu tinha um amigo que morava uma quadra da minha casa. Adorava passar os dias em sua companhia, jogando Nintendo de 8 bits, Castlevania, Battletoads, Mega Man, Super Mário Bros e Street Fighter II, eram alguns dos preferidos. Geralmente passávamos o dia inteiro jogando.

Mas quando anoitecia, para voltar da casa do meu amigo Sérgio eu tinha que passar por uma construção antiga e abandonada. Eu cagava de medo!!! No fundo da construção existia uma árvore gigante, uma mangueira, e quando a luz do luar se refletia nela se transformava em um monstro, um Cthulhu (principal entidade cósmica criada pelo escritor de terror H. P. Lovecraft), que apesar da idade eu já tinha lido.

Aquele monstro crescendo sobre meu olhar, enquanto a lua cheia o irradiava com sua luz calma e clara, me trazia uma sensação de medo misturado com adrenalina. Era a primeira vez que o horror me era apresentado, em sua mais pura forma.

Aliás, vocês sabem a diferente de terror e horror? Só para deixar claro, o termo “filme de horror” deixou de existir no fim da década de 1990. Hoje são todos filmes de terror, mesmo eles sendo de horror.

Os filmes de terror, são feitos com pessoas ou coisas que aterrorizam, o termo “terrorista”, vem do nome terror. Terror é aquilo que nos dá medo de ver, de sentir, aquilo que não sabemos que existe, o filme de terror não é nojento, não nos causa repulsa.

Já o horror é aquilo que te causa desprezo, aversão, que incomoda, que te dá indignação, ou seja, você não quer ver aquilo, isso acontece em filmes que o vilão mata a criança, cenas de estupros violentos, mortes violentas ou pais matando filhos, por exemplo.

Resumidamente o terror nos causa medo e é passageiro, já o horror nos remete ao pavor, algo que pode nos traumatizar, pelo fato de estarmos vendo algo que nos causa nojo.

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Um bom filme de HORROR é A BRUXA, de 2016, que infelizmente aqui no Brasil foi vendido de forma errada. A maioria das pessoas que criticaram a película foram ao cinema esperando levar sustos. E sustos são coisas que o filme não traz, ele te entrega uma horripilante história baseada em contos reais, da Nova Inglaterra do século XVII, mais precisamente alguns tempo antes das caças as bruxas em Salém. Eu fiquei o tempo todo incomodado com o que estava vendo, mas extremamente feliz, como quando olhava para o meu Cthulhu particular, anos atrás.

A “fábula” é contada pela jovem Thomasin (Anya Taylor-Joy, fiquem de olho nessa atriz, excelente). Depois que sua família é expulsa da vila, porque seu pai é um fervoroso cristão e sua fé é diferente da imposta pela igreja, se mudam para uma nova casa na floresta, e coisas estranhas começam a acontecer: animais tornam-se malévolos, a plantação morre e uma criança desaparece inexplicavelmente. Desconfiados, os membros da família acusam a adolescente de praticar feitiçaria.

A fotografia do filme é bela, conseguiu me passar frio, e me deixou com medo de entrar na floresta. O filme foi exibido no Festival de Sundance 2015 e rendeu a Roger Eggers o prêmio de melhor diretor de filme dramático americano.  A crítica ficou bastante animada com o filme e fez comparações com produções como O Exorcista (1973) e O Iluminado (1980).

Bom, voltando ao meu delírio infantil, naquela fatídica noite onde o ser fantástico surgiu diante de mim, um pequeno fedelho, que ao invés de se borrar todo, descobriu um de seus passatempos preferidos, filmes/livros de terror/horror.

Até a próxima alucinação, digo, texto.

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