Nos anos 80, dois ninjas disputavam a preferência dos jogadores de videogame: Ryu Hayabusa, de Ninja Gaiden, no console da Nintendo e Joe Musashi, que dançava nas sombras nos arcades e plataformas da Sega.

Enquanto Hayabusa desferia espadadas, se multiplicava e escalava paredes em jogos de ação com progressão lateral no NES, seu concorrente tinha aventuras em plataformas bem mais variadas: Joe Musashi iniciou sua carreira nos arcades, com dois side scrollers (Shinobi, de 1987; e Shadow Dancer, em 1989) que ganharam ports para Master System e Mega Drive, respectivamente.
Após estas conversões, o ninja passou a fazer carreira no 16 bits da Sega com The Revenge of Shinobi, lançado também em 1989. Este jogo contava com participações especiais pra lá de inusitadas: o chefe da fase Chinatown era ninguém menos que o Homem Aranha, um dos inimigos tinha uma grande semelhança com o Batman e até o monstro atômico Godzilla fazia uma ponta.

Claro que a idéia “brilhante” gerou problemas de direitos autorais. Por conta disto, o cavaleiro das trevas acabou sendo trocado na versão 1.01 do software pelo personagem “Devilman” e Godzila virou um esqueleto de dinossauro na versão 1.03 – mas o cabeça de teia acabou sendo oficialmente incorporado ao game, já que a Sega adquiriu os direitos dos personagens da Marvel Comics logo depois do lançamento do jogo.
O ninja voltou a atacar no Master System com The Cyber Shinobi, um jogo lançado em 1990 cuja qualidade fica bem abaixo do padrão da série. O console recebeu ainda Alex Kidd in Shinobi World, uma divertida sátira da franquia original em que o antigo mascote da Sega incorporava o espírito de um ninja. O portátil colorido da Sega também foi palco das aventuras de Musashi, com dois games lançados para Game Gear: Shinobi, em 1991, e Silent Fury, de 1992.
Depois destes títulos menos expressivos, o Mega Drive continuou recebendo aventuras do personagem, como Secret of Shinobi, onde ele lutava ao lado de um lobo branco; e Shinobi III: Return of Ninja Master, possivelmente o melhor da série, que envolvia combates contra guerreiros japoneses, infiltrações em bases high tech e até galopes de cavalo.

A série teve passagem pelo Sega Saturno em 1995, com o lançamento de Shinobi Legions, um jogo passado em outra época que, justamente por isso, trocou o protagonista principal pelo ninja branco Sho. Apesar dessa mudança, o game trazia toda a jogabilidade tradicional e uma série de golpes especiais que, aliados aos gráficos digitalizados, agradaram aos fãs da franquia.
Quando a Sega parou de produzir consoles, seus ninjas migraram para plataformas de outras empresas. O Game Boy Advance ganhou The Revenge of Shinobi, um jogo de ação sem qualquer semelhança com o game homônimo; e no PS2 a franquia fez sua estréia em três dimensões em 2002 com um título de aventura em terceira pessoa chamado simplesmente de Shinobi, que trazia o ninja Hotsuma como protagonista. Este jogo teve uma continuação lançada no ano seguinte, Nightshade, que trouxe uma kunoichi (mulher ninja) como protagonista.
Depois de Nightshade, as aventuras dos shinobis da Sega foram lançadas apenas em pacotes de jogos clássicos para os consoles da nova geração. Enquanto isto outro ninja vem fazendo sucesso: Ryu Hayabusa, que reapareceu como lutador no game Dead or Alive da Tecmo, tornou-se protagonista de games aclamados para Xbox, PS3 e até Nintendo DS.

Bem que o velho Joe Musashi poderia afiar a espada em um remake para os consoles da nova geração, acendendo a rivalidade entre os ninjas que surgiu na década de oitenta. Um novo título do personagem seria bem fácil de fazer: bastava seguir a fórmula Hack and Slash de combate contra múltiplos oponentes em ambientes 3D consolidada por God Of War.
Musashi teria a sua disposição um arsenal de espadas, shurikens, bombas de fumaça e artes ninja que funcionassem como magias, permitindo ataques com elementais em que o protagonista arremessasse bolas de fogo, raios e até ficasse invisível.

Para enfatizar o lado sorrateiro do personagem, um remake deveria ter elementos de ação stealth, como na série Tenchu, permitindo que você se esgueirasse pelos guardas sem ser detectado… pelo menos até ser tarde demais.

Outro elemento de gameplay interessante seria um sistema de execuções, tal qual no game Splinter Cell Conviction. Com um simples toque de botão, Musashi dispararia uma saraivada de estrelas mortais, eliminando todos os inimigos que ele tivesse previamente marcado.
Com esta mistura de elementos de combate, furtividade e uma boa dose de violência, certamente um remake de Shinobi seria um sucesso. Mas enquanto a franquia não é ressuscitada, os fãs podem matar as saudades do personagem através de pacotes de jogos clássicos, como Sonic’s Ultimate Genesis Collection, uma coletânea lançada para PS3 e Xbox 360 que traz 40 jogos clássicos da Sega, incluindo o extraordinário Shinobi III.