Resenha | Kick Ass – A nova garota Vol.1

Antes de tudo é preciso pedir desculpas pelo atraso. Nos últimos anos estava um pouco alienado dos lançamentos de quadrinhos e apenas ao começar a resenhar aqui para o blog voltei a conferir as grades de lançamentos. E que surpresa para mim ao descobrir que há uma nova série em quadrinhos de Kick Ass, com uma personagem totalmente nova e já com seu terceiro volume saindo nas terras no meu Brasil varonil. Assim, meu atraso é de quase dois anos para resenhar o primeiro volume de Kick Ass: A Nova Garota, mas fã do “chuta-bundas” como sou (eu sei que o termo em inglês é uma expressão, mas é mais legal traduzir no literal), comprei os três volumes e logo devo trazer uma resenha dupla do segundo e terceiro para manter tudo em ordem.

Para quem está tão perdido quanto eu e se lembra da declaração de Mark Millar quando disse que Kick Ass 3 seria a despedida do personagem, parece que ao menos ele se referia a Dave Lizewski, já que temos uma nova pessoa por baixo da fantasia improvisada. Como se não quisesse perder nem um segundo, o primeiro volume começa frenético, com Kick Ass sendo pega numa confusão por parte de um bando da máfia. Como a resolução será incrível em termos de ação, logo voltamos no tempo para descobrir um pouco do passado de nossa nova protagonista.

Patience Lee é uma soldado americana, afrodescendente que retorna do Afeganistão para descobrir que está falida e que foi abandonada pelo marido que a deixou cheia de dívidas. Sua cidade e o bairro não estão em situação melhor, tomado por gangues e pela máfia local. Patience então toma a decisão que seria a mais normal dentro do Millarverso: decide se tornar uma espécie de Robin Hood da cidade, roubando dos criminosos para sobreviver e doar aos necessitados. Disfarçada de Kick Ass, é claro.

O primeiro volume passa voando, devido a dinâmica de ação estabelecida desde o começo. Em poucas páginas já sabemos da habilidades de Patience, seus conflitos e a confusão na qual ela se coloca. O traço de Romita Jr. que valoriza muito a movimentação cartunesca, valoriza bem a velocidade do texto e cria o contraste com a ultraviolência, no mesmo casamento da série original. Impossível não pensar que essa hq não tenha sido pensada já como um protótipo de vindouras séries na parceria do autor com a Netflix.

É curioso que os quadrinhos agora realizem um caminho que o cinema fez, ao pegar toda a subversão do gênero realizada na primeira fase da série e elevar novamente ao super herói ao status grandioso da Marvel e DC. Com Patience, temos uma mistura de Rambo e Kick Ass, numa jornada de chamado pelo destino bem clássica dos quadrinhos. Em resumo, a nova série de Kick Ass não é um primor da nona arte, mas consegue equilibrar bem seu recente legado, solidifica uma franquia e dá passos na direção que outras gigantes dos quadrinhos já trilharam, com diversão e ação na medida certa. Vamos acompanhar para saber onde esses passos vão levar.

Kick Ass: A Nova Garota
Mark Millar, Romita Jr.
Editora Panini
2019

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