Resenha | Novos Titãs: Ravena, de Kami Garcia e Gabriel Picolo

Estamos em 2020 – este ano tenebroso – e a geração que cresceu assistindo animações da DC se tornou adulta. Lançado em 2003, “Teen Titans” teve como feito não apenas ser precursor de uma das melhores animações satíricas dessa geração, mas também por recuperar personagens clássicos – Estelar, Robin e Ciborgue – como fazer com o público caísse de amores por outros, como Mutano e Ravena. Esta última, acaba ter uma nova HQ lançada no Brasil, “Jovens Mutantes: Ravena”. Quase vinte anos depois, o público ainda quer mais desses personagens.

Publicada originalmente pela DC Ink, escrita por Kami Garcia e desenhada pelo quadrinista brasileiro Gabriel Picolo, o volume nos apresenta uma nova visão da origem da personagem. Na trama, vemos o momento trágico em que Ravena perde sua mãe num acidente, que também afeta sua memória. Sozinha, a adolescente se muda para Nova Orleans e passa a morar com a família de sua mãe. Aí que coisas estranhas começam a acontece e, à medida que ela se aproxima de sua irmã adotiva, Max, de seus novos amigos, Ravena precisa lidar com as sombras dentro de si.

O texto é dinâmico e envolvente, com reviravoltas rápidas que alimentam as surpresas.  Direcionado a um novo público, a nova versão de Ravena é criada por uma família de mulheres independentes e fortes. Trazendo de novo protagonismo feminino para uma mídia que enfrenta parte do seu público para tal e que, ao mesmo tempo, busca novos leitores. A obra busca ainda, apresentar representatividade de pessoas negras, embora caia no estereótipo da mulher negra e feiticeira. Ao apresentar o Vodu, religião de matriz afro bastante famosa e ainda assim desconhecida, ora alimenta clichês ora nos traz personagens carismáticas no meio.

O tom da HQ é bastante moderno, mesclando sombras e leveza. Isso é certamente um grande mérito de Kami Garcia, que foi co-autora da série Dezesseis Luas e sabe se conectar com os leitores mais jovens. Mas o grande mérito desse texto simples é se conectar com a arte de Picolo. Esta foi a primeira HQ ilustrada por ele a ser publicada. Picolo ganhou expressão na internet através de suas fanarts, especialmente as que fazia dos Jovens Titãs.

O traço é leve e bonito, lembra a todo momento a sutileza de Mike Dringenberg na sua parceria com Neil Gaiman para criar o visual da Morte em Sandman. Claro que aqui, feito com a arte digital, os traços são muito mais definidos e as cores – mesmo os tons em preto – são muito mais nítidos. Gerando imagens que parecem feitas sob medida para pôsteres e wallpapers de celular.

Longe de ser um clássico absoluto da nona arte, o volume oferece uma diversão escapista do início ao fim, capaz de nos fazer reconectar com uma personagem tão carismática e importante ao longo de vinte anos de leitores de HQ. Considerando o claro apelo mercadológico que a produção parecia se apoiar, é mais do que satisfatório.

 

 

 

Jovens Titãs: Ravena
Ano: 2020
Escrito por Kami Garcia
Ilustrações por Gabriel Picolo
Editora Panini

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