Baseado no romance homônimo de Fredrik Backman e direção de Hannes Holm, o filme conquistou o Oscar de melhor filme estrangeiro em 2017.

Um homem chamado Ove é um longa que pode não surpreender o público no desenvolvimento de sua trama, possui seus clichês e é previsível em muitos aspectos, mas especialmente neste filme tudo isso não são defeitos em minha opinião, o filme acaba sendo interessante e envolvente.

Ove é um senhor que não consegue seguir em frente após a morte de sua esposa e com ela se foi toda a alegria dele, torna-se um homem amargo, mal humorado e solitário. Cumpre um ritual desde a morte de Sonja, vai ao cemitério visitar seu túmulo e faz rondas no seu condomínio, agindo como um policial verificando as irregularidades dos moradores.

Em um dos seus repetitivos dias ele vai ao trabalho e recebe a notícia de sua demissão, ao que parece o emprego era a única coisa que o mantinha vivo, pois após esse evento Ove vai tornar-se um suicida em potencial, ele passa grande parte do filme tentado suicidar-se com a esperança de encontrar sua falecida esposa Sonja.

Análise técnica

Com um cenário composto por grande parte do condomínio, o filme tem um clima melancólico – o clima de inverno ajuda também – e a trilha sonora acompanha, formando uma ótima dupla no conjunto da obra, sem tornar apelativo. O contraste desse cenário são os flashbacks da vida de Ove antes e depois de conhecer Sonja, as cores são mais vibrantes, mais alegres, é como uma mensagem para o público de como Ove se sentia sem precisar falar nada. O cenário desse filme ajuda a contar a história desse senhor amargo, mas de enorme coração.

A atuação do Rolf Lassgård (Ove) é equilibrada, quem assiste recebe a aflição, alegria e raiva passada pela atuação. Do mesmo modo, o ator que interpreta o Ove mais novo, Filip Berg, traz originalidade e demonstra que Ove sempre foi um homem mais conservador, tímido e de poucas amizades. Sonja é a típica moça de romances, a diferença é que a personagem interpretada por Ida Engvoll tem uma força enorme, equilíbrio e independência.

Voltando aos flashbacks de Ove…

A vida dele começa dirigir-se para um rumo jamais esperado por ele, após a chegada de uma família no condomínio, uma estrangeira israelita casada com um sueco Patrick (Tobias Almborg). Eles já tem duas filhas e Parvaneh (Bahar Pars) está à espera de outra criança, são os típicos vizinhos simpáticos e felizes, dispostos a fazer amizades, totalmente o oposto do que Ove deseja.

Bem, como eu disse no início não espere que este filme te surpreenda, pois ele é até bem previsível, contudo ele é maravilhoso, o diretor consegue superar essas “obviedades’’ entregando uma obra emocionante com um tom certo de comédia, cenas, atuações e roteiro ótimos. Tratando mesmo que superficialmente de temas como imigração, homossexualidade e deficiência física, Holm desenvolve mais temas como a morte, amizade, depressão, suicídio e empatia.

Os principais defeitos na minha opinião fica por conta do personagem gay do filme, ele aparece e some de repente, ganha pouco desenvolvimento e acaba ficando pelo caminho o que infelizmente, da mesma forma, acontece com a inclusão de deficientes físicos, que é explorada timidamente e acabou ficando algo preguiçoso.

No entanto, as qualidades sem dúvida são maiores. Um lindo filme estrangeiro. Vale seu tempo. Se você gosta de filmes estrangeiros, Um Homem Chamado Ove é um boa pedida!