Muita gente fez um barulho danado na época da última Comic Con Experience depois que o programa Pânico da Band foi desrespeitoso com o público do evento, inclusive, com a cosplayer Mio Tsubasa (relembre o caso).

A organização da CCXP baniu o humorístico das edições futuras, a galera pilhou e bombou o assunto na época, mas foi só isso, depois de um mês nada mais era dito sobre o caso.

Eu li algumas notas e depoimentos de cosplayers que relatavam o comportamento lamentável de alguns indivíduos durante eventos de cultura pop – desde uma mão boba durante uma foto até propostas indecentes – e notei que a mídia nunca deu um foco merecido ao que acontece nos bastidores desses eventos, e quando dava, era uma notinha rápida que passava despercebida aos olhos dos leitores menos atentos.

Sempre tive o hábito de ler os comentários dos leitores no rodapé das matérias, e era muito desanimador o que eu lia nesses artigos. O comentário “Mas olha bem a fantasia que ela estava usando! Pediu pra ser assediada, né!” era figurinha carimbada.

As pessoas (e quando digo pessoas eu me refiro a homens e mulheres) simplesmente insistem em culpar a pessoa/vítima pelo assédio sofrido, apontando sua postura ou seu vestuário como motivo causador do ato.

E não pense você que só mulheres sofrem com esse tipo de situação. Conheço cosplayers masculinos que já relataram terem recebido cantadas extremamente inapropriadas e fora de contexto.

Fora isso, ainda tem um outro agravante: pessoas com certa notoriedade no meio nerd que se aproveitam da sua fama para assediar fãs.

O pensamento básico deles é o de “ah, se me admira tanto, por que não pode demonstrar isso de uma forma que me agrade?”. Pode até parecer que eu estou distorcendo as coisas, mas pense bem:

 

> Você é fã de uma pessoa

> Admira essa pessoa

> E de repente essa pessoa te nota

> Você fica radiante

> Vocês se encontram

> Só que tudo aquilo que você imaginou que fosse acontecer não aconteceu

> Por que?

> Porque a tal pessoa acha que, já que você gosta tanto dela, não tem problema nenhum em algo mais. Se é que você me entende.

 

Não tenho conhecimento de relato de abuso sexual, mas sei de relatos confirmados de assédio.

Assédio não é menos grave, independente dele ser moral ou sexual. Não traumatiza menos. NÃO!

O que eu quero com esse post é dar o foco que esse assunto verdadeiramente merece. As pessoas precisam saber que existe o assédio, e não tratá-lo como uma infeliz casualidade. Por essa razão, eu inicio aqui uma campanha: #NAOVAITERASSEDIO.

O intuito é que o respeito seja a palavra de ordem nos eventos de cultura pop (assim como deve ser em qualquer lugar), e se você passou por uma situação do tipo e/ou conhece alguém que já passou por isso e quiser dividir a experiência, entre em contato comigo, Luiza (vou deixar os links pra minhas redes socais no final do post), e, principalmente, se você sofrer assédio ou tentativa de abuso, seja no lugar que for, FAÇA UM ESCÂNDALO.

Sim, isso mesmo. Escândalo. Grite, esperneie, esbraveje, mas faça. Omitir o fato por achar que é normal, ou não foi nada tão grave, ou pelo o que as pessoas vão pensar, não vai mudar a situação e nem impedir que aconteça de novo.

Não se intimide, grite!

E além, de tudo isso, DENUNCIE.

 

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