Batman e a segregação norte-americana – 2/4

As leis Jim Crow foram medidas tornadas legais para separar brancos e negros em papéis e locais hierarquizados. Conheça agora como surgiram tais leis e como Batman soube driblá-la sem algazarra e sem violência.

{Leia aqui a parte-1 da série}

As chamadas Leis Jim Crow

Antes da Guerra Civil Americana, os africanos escravizados já possuíam, pela estrutura social, o status inferior. No entendimento dos senhores de escravos havia sido necessário aprovar leis segregando-os dos brancos. Ambas as etnias podiam trabalhar lado a lado desde que o escravo reconhecesse seu lugar de subordinado. Nas cidades, onde a maioria dos negros vivia livre, formas rudimentares de segregação existiam antes de 1860, mas sem nenhum.

De 1876 e 1965 leis foram sendo cada vez mais promulgadas em âmbito regional e estadual. O período ficou conhecido como “era Jim Crow”.  As leis mais importantes exigiam que as escolas públicas e a maioria dos locais públicos (incluindo trens e ônibus) tivessem instalações separadas para brancos e negros. Além da proibição de relacionamentos amorosos “mistos”.

O nome “Jim Crow” sempre esteve associado ao pejorativo contra pessoas de pele negra. A expressão veio da canção “Jump Jim Crow”, cantada e dançada pelo ator Thomas D. Rice, com maquiagem de “cara-preta”, caricaturando os negros. A canção foi lançada em 1832 e era usada para satirizar as políticas populistas de Andrew Jackson, 7º presidente dos EUA.

Batman vs Jim Crow

Um cartão afetivo do dia de namorados (1965): a arma usada pelos personagens DC contra o racismo.

No auge da segregação racial norte-americana, em 1965, a DC Comics, num de seus esforços de influenciar seus consumidores a ficarem longe do racismo em voga, aderiu ao comércio do Saint Valentine’s Day.

A confecção de produtos licenciados (como cartões, caixas, embalagens), com a temática, foi uma forma de ganhar a adesão do público. Já que os seus super-heróis agora apareciam fora do contexto normal para estarem mais “fofinhos” em mensagens de amor a namorados e de amizade. Batman era um dos mais populares na arte de Dick Sprang e Carmine Infantino.

O pioneirismo dos super-heróis de quadrinhos como produto do amor e da amizade no Valentine’s Day se tornou um símbolo contra o preconceito.

O historiador de quadrinhos Jim Steranko é um dos poucos a afirmar que Batman (junto com Superman e Mulher-Maravilha) foi o super-herói que mais se levantou contra a segregação. E que a atitude comercial da DC no Valentine’s Day foi uma forma de estimular o enfraquecimento da chamada “Lei Jim Crow”, que, dentre outras separações, proibia o casamento interracial. Era o Cavaleiro das Trevas se tornando uma lenda viva no imaginário do povo americano e do mundo. Mesmo limitado pela censura do Comics Code Autorithy e ameaçado pela onda do preconceito.

Continua na próxima edição.

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