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Autores de quadrinhos no Brasil: pela primeira vez, levantamento revela perfil dos profissionais do país

O Censo Nacional dos Profissionais de Quadrinhos e Humor Gráfico divulgou um mapeamento inédito sobre quem faz quadrinhos no Brasil hoje. A pesquisa, realizada pela Quadrinhopédia em parceria com coletivos e entidades do setor, reuniu 831 respostas de artistas e profissionais ativos nos últimos cinco anos, incluindo roteiristas, desenhistas, coloristas e editores.

Os dados revelam que a maioria dos quadrinistas brasileiros tem entre 31 e 40 anos, é composta majoritariamente por homens cis, e se concentra na região Sudeste. Em termos raciais, cerca de 61% se declaram brancos, enquanto pessoas pardas e pretas somam pouco mais de 32%. A pesquisa também destaca a presença de 6% de pessoas não-binárias, apontando uma diversidade crescente no setor.

No aspecto profissional, o cenário ainda é marcado pela precarização: mais de 70% não têm os quadrinhos como principal fonte de renda, e entre os que ganham com a atividade, a maioria recebe até cinco salários mínimos. A autopublicação domina o mercado, especialmente pelas redes sociais e por impressos independentes, enquanto a publicação por editoras ainda é minoritária. A informalidade também aparece forte: mais da metade dos profissionais não emite nota fiscal.

Os resultados foram organizados em um ebook gratuito com mais de 170 páginas, que reúne gráficos, análises e textos críticos de convidados. O objetivo do censo é servir como base para políticas públicas, editais, pesquisas acadêmicas e para fortalecer a luta pelo reconhecimento profissional dos quadrinistas no Brasil. A equipe responsável pretende repetir o levantamento a cada cinco anos para acompanhar a evolução do setor.

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