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Crítica | Demolidor: Renascido – Temporada 2 (2026)

Ainda que mais coerente do que a primeira temporada, “Demolidor: Renascido” retorna com momentos menos inspirados e a sensação de que, daqui, não sai mais nada de realmente novo. Não chega a ser exaustivo acompanhar o novo ano, mas fica evidente que a criatividade foi, em muitos momentos, substituída por emulações mais ou menos baratas de grandes quadros dos quadrinhos.

Desde o início, quando ainda funcionava como série de apoio ao MCU na Netflix em 2015 (sim, estamos ficando velhos), a produção se sustentava em um tripé bastante claro: o carisma do elenco, sequências de ação eficientes e referências visuais e tonais aos clássicos do personagem escritos por Frank Miller — em especial “Homem Sem Medo”, “A Queda de Murdock” e “Elektra”.

Um retorno difícil e tumultuado

Com maior ou menor êxito, entre duas primeiras temporadas aclamadas, passando pelo tropeço de “Os Defensores” e uma tentativa de recuperação no encerramento da série original, permaneceu a sensação de que o personagem — e seu elenco — mereciam mais.

Por isso, quando a Disney Company decidiu retomar a série após recuperar os direitos e levá-la ao Disney+, a escolha parecia segura: buscar inspiração no segundo arco mais celebrado do herói, o run de Mark Waid, vencedor do Prêmio Eisner e responsável por recolocar o personagem em evidência no início dos anos 2010.

A proposta inicial — equilibrar a continuidade dramática da fase Netflix com uma estrutura mais episódica, permitindo variações de tom — acabou sendo abandonada em meio às reformulações do MCU após uma sequência de resultados irregulares. A nova diretriz parece clara: apostar no saudosismo. Se no cinema isso significa trazer de volta Robert Downey Jr.; aqui, é recriar o que funcionou em 2015.

O resultado é uma segunda temporada que soa como um pastiche: uma colagem de elementos das fases anteriores (cenas de tribunal, longos discursos e violência explícita) somada a referências visuais e tonais que, em vez de dialogar com Frank Miller, parecem deslocadas, herdadas da abordagem mais leve de Mark Waid — sem que essas duas influências encontrem um ponto de equilíbrio.

Aos trancos e barrancos

Diante desse cenário, é quase surpreendente que os problemas mais evidentes se concentrem nos diálogos — por vezes simplistas e constrangedores — e em soluções narrativas apressadas. Momentos como o confronto final no tribunal, com Murdock pressionando sua ex-namorada, ou recursos fáceis envolvendo a participação de Jessica Jones e (SPOILER) a forma como Matt se revela ao público como o Demolidor, evidenciam uma escrita que, em vez de tensionar o drama, opta pelo caminho mais óbvio — e, em alguns casos, francamente brega.

O resultado é uma temporada mais coesa e menos desajeitada do que a anterior, sem dúvida. Ainda assim, há um paradoxo curioso: a primeira temporada, mesmo irregular e fragmentada, encontrava força justamente em seu risco. Aqui, a maior organização vem acompanhada de uma perda de impacto. Há mais elementos pensados para agradar aos fãs do Demolidor, e uma condução mais focada, mas nem sempre isso se traduz em momentos realmente memoráveis.

Mas não se enganem, “Demolidor: Renascido” ainda entrega sequências empolgantes — especialmente as cenas de ação —, e em seu melhor momento, que surge no meio da temporada, em um episódio particularmente envolvente que recorre a flashbacks ambientados no início da fase da Netflix, a série brilha.

É ali, olhando para trás, que a produção encontra sua forma mais interessante — o que diz muito sobre suas dificuldades em seguir adiante.

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