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Alerta de Spoilers – Gavião Arqueiro 01×01/02

Este texto contém spoilers. Repetindo, SPOILERS
Caso você não tenha lido o título

Consistente! Assim eu definiria Gavião Arqueiro se só pudesse usar só um adjetivo. Um bom começo para a nova série do Disney+ e da Marvel Entertainment, inspirada na fase mais incrível do personagem nos quadrinhos.

Primeiramente, a série abre em meio à batalha de Nova York. Assim temos uma percepção clara, o Hawkeye do título pode ainda ser Clint Barton, mas a série vai nos mostrar a origem de Kate Bishop. “Preciso de um arco”, diz a garota assim que é salva pelo herói da invasão Chitauri.

Então a trama avança até os eventos pós “Ultimato”. Clint está tentando passar mais tempo com seus filhos e lidar com os traumas que a luta contra Thanos gerou e sua popularidade como um Vingador. Enquanto isso, uma talentosa e inconsequente Kate começa a esbarrar em um mundo de crimes, roubos e assassinatos onde acaba, meio que por acaso, assumindo a identidade do Ronin.

Se por um lado o MCU parece apostar em tramas cósmicas megalomaníacas, de outro as tramas mais urbanas estão sendo um respiro muito agradável. Depois de “Falcão e Soldado Invernal” nos oferecer uma ótima história de espionagem, “Gavião Arqueiro” oferece sua versão de “Duro de Matar“. Com o humor divertido e natural que se espera das tramas de ação fofa, a série arranca risadas hora sim e hora também.

Além disso, os diálogos estão afiados. Este tem sido um campo que a Marvel tem trabalhado desde 2008, não se focando em um texto poderoso, mas na simplicidade muito bem feita. Com isso, as coisas mais absurdas se tornam orgânicas.

Nunca conheça seus heróis

O primeiro episódio funciona bem como apresentação e preparação para o que a série vai mostrar. Hailee Steinfeld apresenta uma Kate Bishop engenhosa e determinada, que sempre se vê enrascada pela sua ousadia. Eu não sabia que Vera Farmiga estava no elenco e admito que meu queixo caiu quando a vi como a mãe da protagonista. É sempre maravilhoso ter alguém o talento dela em qualquer produção.

Do outro lado, no pequeno arco de Clint vemos como o mundo celebrou o retorno dos mortos após o Blip: com um espalhafatoso show musical dos vingadores (Com Chris Evans fazendo ponta como Thor, é isso?).

É muito bom que a série mostre que Clint ainda não se recuperou dos eventos do último filme, seja fisicamente (os aparelhos auditivos) ou psicologicamente. Ver ele perder os eixos ao ver a imagem de Natasha é de partir o coração. Tudo isso promete para quando ele vir a encontrar a nova Viúva-Negra. (Veja a crítica do filme)

De todo modo, o episódo é compatente em nos dizer que o submundo do crime de Nova York sofreu nas mãos do Ronin e que agora está tentando encontrar artefatos dos Vingadores como forma de se reeger. Em certo momento, um “chefe” do submundo é citado rapidamente… Rei do Crime!?

Kate acaba se envolvendo e assumindo o manto do Ronin por um breve momento, em uma divertida cena de ação. É a deixa para que o Gavião Arqueiro vá limpar suas roupas sujas.

Pega Pega

O segundo episódio começa a mostrar consequências e aumentar a tensão. Por isso, talvez o texto tenha colocado mais alívios cômicos para gerar equilíbrio. Kate descobre um assassinato e é atacada por uma gangue que quer matar o Ronin. Clint tem espaço para brilhar como héroi mais uma vez.

Gavião Arqueiro

Enquanto o drama se adensa e a futura Gaviã Arqueira tem que desobedecer seu mentor para entrar em ação, o episódio brinda os espectadores nerds com um momento cômico envolvendo Swordplay. Clint está exausto e só quer ter um natal normal com sua familia, mas ignora o que Kate insiste em dizer a ele: Ele inspira as pessoas. E isso importa.

Os fãs tendem a deixar de lado o segundo filme dos Vingadores, “Era de Ultron“, mas ele possui dois pontos importantes para esta série. O primeiro e mais evidente é o momento em que o próprio Gavião inspira Wanda a ser uma heroína, o segundo é a forma como a Marvel escolheu retratar seus heróis.

Na época, como uma resposta ao tom sombrio da distinta concorrência, a produção escolheu dedicar bons minutos do filme mostrando os heróis se preocuṕando exclusivamente em salvar civis. A batalha ficou para depois.

Foi uma forma de trazer humanidade aos personagens e, cá entre nós, o mais humano desses personagens no cinema até agora é junstamente Clint Barton. Por isso, ver o personagem se envolver numa guerrinha com espadas de espuma e surpreendentemente encontrando diversão nisso é um ótimo desenvolvimento.

No fim, mais uma vez ecoando a Viúva Negra, Clint se torna isca para lidar diretamente com o líder da gangue que está perseguindo Kate. Claro que tudo dá errado, a jovem aparece para “ajudar” e os dois acabam presos juntos, criando o gancho para o próximo episódio.

Vale a pena?

Com certeza. A palavra que usei para descrever a sério no começo do texto se justifica maravilhosamente. Depois de um ano com séries da Marvel no Disney Plus, podemos dizer que esse universo televisisvo está consistentemente entregando o que promete. Enquanto o cinema prepara grandes eventos, as séries estão na periferia deles, ironicamente colocando os alicerces para que eles enfim funcionem.

Assista no Disney Plus