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Crítica – Chucky (2021)

Todos nós sabemos que a popularidade de alguns personagens não dura muito. E no mundo nerd, em geral tendemos a deixar de lado alguns personagens populares do horror. Ainda assim, alguns deles parecem sobreviver por um pouco mais de tempo – mesmo que em produções duvidosas. Esse é exatamente o caso de Chucky, resgatado em 2021 para o grande público através de uma série de televisão realizada pelo Syfy e transmitido no Brasil pelo Star+.

Chucky

Ao mesmo tempo em que as sequências do clássico “Brinquedo Assassino“(1988) iam se perdendo em termos de bilheteria e público, curiosamente a franquia conseguiu sustentar sua cronologia. Tudo bem que com alguns tropeços, em especial o remake mais recente que não trouxe nada de original e a nova produção ignora.

Desse modo, a trama do seriado dá sequência ao último filme lançado em home video. O protagonista Jake Wheeler (Zachary Arthur) encontra um boneco Chucky (Brad Dourif) em uma venda de garagem, sem imaginar onde está se metendo. Não demora nem um episódio e o boneco passa a cometer uma série de assassinatos brutais, aterrorizando a pequena comunidade local.

Uma novidade: Pouco a pouco percebemos que Chucky agora parece instigar o garoto a se tornar um assassino, usando do bullying que o menino sofre como gatilho para manipular suas ações.

Uma narrativa queer?

Assim que a série estreou, ela rapidamente ganhou os títulos dos portais de notícias pelo fato de Jake ser um protagonista gay. O menino é perseguido na escola e agredido por seu pai, vive sempre na sombra de seu primo “perfeito” e esconde sua paixonite por uma garoto da turma mais popular do colégio.

Isso é legal sim, e dá aquela forcinha na construção de empatia com um personagem que é chave durante toda a série. Porém, vamos combinar uma coisa… não se apegue ao roteiro dessa série. Frequentemente o texto aceita facilitações e trapaças para mover a trama e os personagens vão ter atitudes contraditórias.

Dessa forma, não espere muito dessa área da produção. Do mesmo modo, não espere atuações dignas de premiações, o escracho é a regra aqui. E ainda bem. Mas cabe aqui uma exceção: Fiona Dourif. A atriz que debutou na franquia em “A Maldição de Chucky” brilha em todos os momentos e em especial quando assume o papel que foi do seu pai como a versão humanda de Charles Lee Ray nos muitos flashbacks.

Desde já, se nada mais que eu disser for o bastante para te convencer a ver a série, veja pelo trabalho dela.

Chucky na era das conexões

Não, não. Esqueça as conexões Wifi do remake de “Brinquedo Assassino”. As conexões aqui são entre os filmes da franquia criada por Don Mancini. Ainda que a história se sustente sozinha no núcleo de Jake e seus amigos, pouco a pouco a série caminha para ligar vários pontos de sua história. Afinal, você finalmente vai ver a história de origem desse assassino – e vai se surpreender e rir muito com ela.

Andy  Barclay, que já apareceu no último filme, também dá as caras aqui, assim como outras surpresinhas bem perto do final. Como resultado, o espectador recebe um fan service quase sempre na medida.

Digo quase sempre porque é preciso admitir que algumas vezes passa do ponto. Mas em uma série que se promete e se entrega como uma grande bobagem, o que mais se pode querer? Ah claro, o gore. Mas sobre isso não vou me debruçar aqui – este é um site family friendly. Apenas darei um conselho, coloque uma bacia abaixo da sua tela para ajudar a limpar as manchas de sangue depois de cada episódio.

Assista no Star+

chuckyChucky
2021
EUA

Roteiro: David Krschner e Don Mancini

Elenco: Alyvia Alyn Lind, Zackary Arthur, Brad Dourif, Fiona Dourif, Alex Vincent