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Alerta de Spoilers – Y: O Último Homem

Este texto contém spoilers. Repetindo, SPOILERS
Caso você não tenha lido o título

Considerado o carro chefe do lançamento do Star Plus, “Y: O Último Homem” tem um início fragmentado, embora alimente esperanças para o futuro em uma trama que mistura drama e ficção científica, estreando de cara com 3 episódios.

Adaptado a partir de um quadrinho de mesmo nome criado por Brian K. Vaughan e Pia Guerra, o seriado acompanha um grupo de sobreviventes a um acontecimento inusitado e desconhecido que mata todos os homens do planeta, exceto um  jovem e seu macaco de estimação, que passam a ser ao mesmo tempo uma ameaça aos novos regimes e uma esperança para o futuro da humanidade.

Lançado há quase 20 anos, o quadrinho recebe algumas atualizações para sua adaptação, com menções pontuais à pessoas trans no primeiro início da série e uma contextualização que toca na ascenção da estrema direita após a administração Trump (embora a caracterização do presidente na série remeta ao atual presidente dos EUA), a produção faz acenos ás discussões atuais e reforça sua mensagem através da caracterização do protagonista como um homem mimado e infantil.

Diferente do quadrinho, aqui na série temos toda uma preparação para o caos, com os momentos antes da crise ajudando a ambientar o expectador aos personagens. Yorick (Ben Schnetzer), o protagonista, tem bastante tempo para ser apresentado como um tradicional loser na superfície do seu personagem. Em outras camadas, vemos como sua masculinidade frágil e passivo-agressiva será retratada na série. Ele pede sua namorada em casamento antes que ela viage para outro país, e quando ela obviamente diz que não é o momento, o rapaz parte para toda uma série de chantagens emocionais.

Dependente dos pais e da irmã, o protagonista é um espelho para uma geração de homens para quem o mundo foi prometido, mas que escapou de suas mãos.

A extinção em massa do cromossomo Y destrói do dia para a noite toda a infraestrutura do mundo. Aviões caem do céu, enquanto as redes de energia e sistemas de drenagem de água ficam abandonados.

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Como a própria Eliza Clark, Showrunner da série, disse durante um recente painel, o seriado se empenha em ilustrar a frequência com que os homens são incentivados a preencher cargos de alta importância enquanto as mulheres não. Há um grande monólogo de Diane Lane , que interpreta a  presidente Jennifer Brown, falando com a única mulher capaz de liderar a reforma emergencial da rede elétrica. No diálogo, o roteiro faz questão de enfatizar que é um trabalho em que essa mulher sempre foi a única mulher na sala.

No fim, embora a série peque por cair em maneirismos de um gênero que foi monopolizado na última década por “The Walking Dead“, o saldo é positivo. “Y: The Last Man” funciona em partes e com o estabelecimento da primeira metade da temporada é fácil ver onde as coisas poderiam ser mais melhores à medida que a trama avança. O Episódio 3 é uma ótima peça fechada, quando o trama sobre e as coisas se tornam mais ameaçadoras. Talvez com um pouco mais de equilíbrio entre a autenticidade e a ação, estaríamos realmente diante de um clássico.

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