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Crítica – Azor (2021)

O cinema da Argentina tem sido, historicamente, um dos mais desenvolvidos do cinema latino-americano. “Azor” não é diferente, embora não possamos o categorizar exclusivamente como “um filme argentino”.

Isso em razão de que seu diretor e roteirista, Andreas Fontana, é na verdade suíço, nascido em Genebra em 1982. Depois de estudar literatura comparada, mudou-se para Buenos Aires para trabalhar como tradutor. De volta à Suíça em 2007, fez mestrado em cinema na ECAL em Lausanne e na HEAD em Genebra. Seu primeiro curta Cotonov Vanished (2009) foi premiado em Visions du Réel. Pedro M, 1981 (2015) foi nomeado para o Swiss Film Prize.

Neste seu primeiro longa, fica nítido este olhar do estrangeiro que se surpreende com a ditadura argentina, seja no texto ou na câmera. Na trama, Yvan De Wiel (Fabrizio Rongione), um banqueiro de Genebra, vai para a Argentina em meio a uma ditadura para substituir seu parceiro, objeto de rumores preocupantes, que desapareceu da noite para o dia.

O filme se divide em cinco capítulos  qua acompanham a investigação prudente de Yvan para tentar entender a fuga apressada do seu antecessor, que aparentemente estava envolvido no envio de grandes fortunas para o estrangeiro.

Sempre pisando em ovos, temendo o poder da ditadura em que se embrenha, tenta se encontrar com os clientes mais importantes para convencê-los a continuar seus negócios com ele. Da Sra. Lacrosteguy (Carmen Iriondo) a Augusto Padel Camon (Juan Trench) e sua esposa Magdalena (Elli Medeiros), passando pelo agressivo Farrell (Ignacio Vila) e pelo poderoso arcebispo Tatoski (Pablo Torre Nilson), o protagonista é constantemente colocado à prova todo o tempo enquanto escala os limites do poder encabeçado por militares e a elite corrupta.

Essa caminhada é longa e o ritmo do filme, moroso. A intenção é louvável: Demonstrar todo o custo das negociações do protagonista. Quase alcança o limite desse recurso, salvo apenas pela duração mais curta da produção. Um pouco mais, e o público desistiria. Ainda assim, o esforço do elenco garante que o nosso interesse não se perca.

No fim, em especial para os brasileiros, este filme funciona com múltiplas camadas. Ver a representação das elites da ditadura argentina, esse país que tão melhor lidou com os legados de sua própria barbárie, pelos olhos de um estrangeiro, provoca em nós sentimentos agridoces. É um resgate importante, que nós mesmos ainda precisamos fazer.