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Crítica – Cobra Kai: 4 Temporada (2021)

Para entender os caminhos que “Cobra Kai” toma em sua narrativa, temporada após temporasa, é preciso considerar que toda a sua premissa existe circundando a ideia de que aqueles que são vistos como vilões geralmente têm suas próprias histórias para contar.

Então, todas as idas e vindas do show mostram que nenhum dos antagonistas representa o puro mal. Foi essa premissa que tornou Johnny Lawrence em um herói improvável nos últimos anos e, assim como vemos no mundo real, a cada nova mudança de lado, as coisas ficam mais complexas. 

Na trama da temporada atual, Johnny e Daniel precisam unir seus alunos contra um inimigo comum. Agora que John Kreese assumiu definitivamente seu antigo dojô, a vitória no torneio de caratê do Vale significará o fim das escolas dos perdedores. A partir da união de seus inimigos, porém, Kreese também tem um ás na manga: Seu velho amigo de guerra, o vilão de “Karate Kid 3“, Terry Silver.

Tudo novo… de novo?

Primeiramente, aos que já se viram conquistados por esta série, temos uma excelente continuidade, com o bônus de ser uma temporada mais focada que a última. Para novos iniciados, ou aqueles cansados do drama adolescente, a vantagem torna-se ressalva. Sejamos justos, “Cobra Kai” sempre foi um novelão. Agora, trocando de produção pela quarta vez e caindo nas mãos da Sony Television, o tom se amplifica. Não são poucas as cenas de drama que se repetem na entrada e dentro da casa de Lawrence demonstrando o tom que a produção adotou.

Da mesma forma, a maior falha da quarta temporada é o seu ritmo. As idas e vindas de Johnny e Daniel, bem como suas lutas para unir forças, já cansaram nas temporadas passadas. Embora ainda seja engraçado e o equilíbrio entre cada estilo de caratê seja uma parte crucial do as lições desta temporada deixam para ambos os senseis e seus alunos, que a recompensa não está devidamente alinhada com toda aquela configuração.

As lutas estão ótimas, verdadeiramente ótimas. Mas isso certamente já não basta a todos. É uma escolha de produção, portanto, seguir introduzindo novos personagens enquanto busca espaço para trabalhar os arcos de alguns já conhecidos. Para trabalhar o arco de um novo personagem, retira-se tempo de tela de outros. Para desenvolver a evolução de Tory, necessáriamente, o roteiro forçprecisa de uma uma subversão que retira recompensas do espectador. Mira no futuro, paga hoje. É um jogo sutil e difícil de ser jogado.

Ainda assim, de forma curiosa, podemos ver no espírito da produção o mesmo lema que mostra dentro da própria série: Cobra Kai never dies. Bem, ainda não ao menos.

Por fim, assista na Netflix

 

Cobra Kai (2021)
EUA – Netflix

Dirigido por: Hayden Schlossberg, Jennifer Celotta, Jon Hurwitz, Josh Heald, Lin Oeding, Steven K. Tsuchida

Elenco: Mary Mouser, Peyton List, Ralph Macchio, Tanner Buchanan, William Zabka, Xolo Maridueña, Aedin MincksAnnalisa Cochrane, Bret Ernst