Crítica – Cavaleiro da Lua (2022)

Cavaleiro da Lua

Podemos dizer que “Cavaleiro da Lua” foi a primeira grande aposta da Marvel em 2022. O estúdio que espera dominar os cinemas a partir dessa semana com a sequência de Doutor Estranho, prometeu muito ao trazer um personagem desconhecido para o streaming, com mais violência e dois grandes atores no elenco.

Agora, seis semanas depois, é preciso observar com atenção o que funcionou e o que não deu tão certo nessa empreitada.

Camadas de frustração

Antes de tudo, o fã da Marvel precisa colocar os pés no chão. Desde a estreia de “Wandavision”, todas as produções para o Disney Plus da Casa das Ideias sofre com um excesso de expectativas do seu público.

Ansiosos por ligações extras e expansão do universo, os fãs acabam perdendo a linha de suas expectativas. Mesmo que alimente esse jogo com easter eggs, já está mais do que claro que a atual diretiva do estúdio é, sempre que possível, construir histórias que bastem em si mesmas. Foi assim com a ascenção da Feiticeira Escarlate, o novo Capitão América e o fechamento de arco de Clint Barton.

E se tomarmos a jornada de Mark Spector/Steven Grant em “Cavaleiro da Lua”, muito dessa jornada pessoal é entregue. O que acontece é que todos os exemplos anteriores também entregaram uma ótima catarse ao fim desse caminho, que por uma decisão profundamente exdrúxula, é retirada de tela no último episódio da série e guardada para uma cena pós-créditos não mais do que óbvia e anticlimática.

Fica a sensação de que, se quisessem verdadeiramente fazer uma trama mais densa e focada nos dilemas mentais do protagonista teriam entregue algo muito melhor. Mas fizeram algo no meio do caminho, não entregando por completo nem uma nem outra coisa.

O peso de uma atuação

Com efeitos visuais que pouco passam do limite do competente, e com cenas de ação genéricas desde o começo. Parecia óbvio que a série buscava escapar do seu personagem título. Muito mais interessantes que as lutinhas de personagens em CGI era a dualidade entre Mark e Steven, seus mistérios e a relaçãoq ue crescia em drama e humor a cada interação.

A escalação de Oscar Isaac para os papéis principais trouxe uma densidade para a atuação que poucas vezes vimos esse universo e, com isso, quem precisa de um super-herói?

 

Bem, eu respondo: Aquele mundo fictício, e enquanto idas e vindas arqueológicas e viagens espirituais aconteciam, o peso das mortes causadas pelo vilão em toda série é amenizado quase ao ponto de ser esquecido. Muitas vezes, a presença assustadora de Konshu (voz de F. Murray Abrahan) e sua ameaça de escolher um novo avatar soa mais vilanesca do que o roteiro se esforça em apresentar os vilões.

Ethan Hawke não fica jogado de lado, mas é apenas por que seu talento se sobresai, não por que o roteiro lhe dê muito o que fazer.

Uma nova promessa

Ainda não sabemos se “Cavaleiro da Lua” será uma minissérie ou se haverá uma segunda temporada. Há boatos fortes de que haverá ainda este ano um especial de Halloween do “Lobisomem” dirigido por Michael Giacchino além da breve interação entre Blade e o Cavaleiro Negro no fim de “Eternos”. Tudo isso somado à cena pós créditos da série promete muito aos fãs da divisão sobrenatural da Marvel nos cinemas. Mas as fichas de promessa estão ficando escassas.

Uma outra direção seria aproveitar o maravilhoso carisma de May El Calamawy, já que a atriz conquista o coração de quem assiste. ALém disso, ao menos já protagonizou um maravilhoso cutucão no ponto mais polếmico e criticável do ultimo filme da Mulher Maravilha. Adoraria rever a atriz em projetos maiores da Marvel na TV e nos cinemas, já que seu desfecho foi completamente ignorado.

Essa história não termina aqui, e embora frustrante, oferece muito com o que trabalhar no futuro. Nos resta esperar, mas tal qual Mark e Steven, é bom não colocar muita confiança nesses “deuses” da indústria.

Cavaleiro da Lua (Moon knight)
EUA – 2021

Direção de Mohamed Diab

Elenco: Oscar Isaac, May El Calamawy, Ethan Hawke

Assista no Disney Plus

 

Review

3.6
Nota
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