Primeiras impressões – Sandman (2022)

A primeira impressão que temos de “Sandman“, da Netflix é de uma transcrição fiel do quadrinho na transposição para as telas. Espanto para alguns que isso não é uma vantagem.

As diferentes mídias tem diferentes potenciais e caracteríricas próprias e uma transposição direta seria uma perda enorme. Felizmente, logo o espectador vai perceber que essa transposição perfeita da imagem sequencial e síncrona do quadrinho para a imagem em movimento é uma ilusão – ou um sonho.

Doses de breguice e doses de reverência

Sandman

“Sandman”, o quadrinho, é muitas vezes tratado como o mais literário dos grandes clássicos da nona arte. E isso certamente assustaria e direcionaria qualquer criador que se sentisse intimidado por realizar essa adaptação. Felizmente, a presença de Neil Gaiman com mão forte dentro do projeto da Netflix gerou ótimos frutos.

Temos na série – ou pelo menos nos três episódios que tivemos acesso – um equilibrio muito bom entre dois ponto. Primeiramente, a galhofa caracterítica tanto dos quadrinhos enquanto mídia como das série como produto de massa. A seguir, consegue ainda reverenciar grandes momentos do quadrinho, como no arco de Constantine – aqui levemente alterado por questões de direitos de uso do personagem.

A boa direção e o texto que sabe apresentar suas alterações entrega nos primeiros episódios o melhor dos mundos.

Fantasia, beleza e emoção na medida

Antes de tudo, o que mais brilha em “Sandman” é a beleza de como seu mundo fantástico impacta na sua versão do mundo real. A grandeza do sonhar é perfeitamente aproveitada e o texto trabalha seus elementos e personagens com profundidade e uma ótima visão estética.

Por outro lado, é bem provável que alguns fãs mais radicais vão reclamar das alterações. Ainda assim, de muitas formas, as mudanças alinham-se perfeitamente com o coração do que o quadrinho sempre representou. “Sandman” sempre foi uma série de quadrinhos alinhada com valores bem nítidos, apoiando em filosofias específicas e bastante voltado para refletir a diversidade.

A todas e todos que entenderem isso, certamente vão aproveitar tanto a série quanto apreciaram os quadrinhos.

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